Hungria fechará campos de migrantes em zona de trânsito

O campo de Malakasa, a 38 km de Atenas, onde vivem 1,7 mil migrantes, foi colocado em 'confinamento sanitário total' por 14 dias, com proibição de entrada e saída

A Hungria anunciou nesta quinta-feira que estava fechando seus campos de migrantes em áreas de trânsito, onde existem centenas de solicitantes de refúgio, na sequência de uma decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

"A zona de trânsito era uma solução que protegeu as fronteiras da Hungria e a infeliz decisão do tribunal da UE obriga a Hungria a eliminar essas áreas", explicou o ministro do gabinete do primeiro-ministro, Gergely Gulyas, em entrevista coletiva.

No total, 280 pessoas serão transferidas para os centros de acolhida. Na semana passada, o tribunal europeu considerou o caso dos requerentes de refúgio no campo húngaro de Röszke, na fronteira com a Sérvia, um "impedimento".

Os magistrados europeus responderam, assim, às dúvidas levantadas pela justiça húngara em relação ao caso de quatro migrantes do Irã e do Afeganistão, cujos pedidos de refúgio foram rejeitados pelas autoridades húngaras.

Presos na fronteira com a Sérvia, um país de trânsito pelo qual entraram na Hungria e se recusaram a readmiti-los, os quatro homens acreditavam que sua situação violava a diretiva da União Europeia (UE) de 2013 sobre a acolhida de refugiados.

Desde a crise migratória de 2015, a Hungria está na mira das instituições europeias por se recusar a receber refugiados, refletida na construção de uma cerca parcialmente eletrificada na sua fronteira com a Sérvia e a Croácia.

Os migrantes que desejam entrar na Hungria só podem fazer isso por meio de duas zonas de trânsito em Tompa e Röszke, onde são montados campos de migrantes em contêineres, cercados por arame farpado e onde são examinadas as solicitações de refúgio.