Hungria 'fura' fila da UE e começa a vacinar população contra Covid-19

O Globo e agências internacionais
·3 minuto de leitura

BUDAPESTE e PARIS — A Hungria vacinou hoje o primeiro cidadão da União Europeia (UE), uma médica que atua na linha de frente contra a Covid-19, com uma dose da vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech. O imunizante teve o uso emergencial aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos e autorizado pela Comissão Europeia no último dia 21. O país, que tem enfrentado turbulências na relação com Bruxelas, começou a imunização inesperadamente, já que as primeiras doses eram esperadas para o próximo domingo em países como França e Alemanha.

Adrienne Kertesz foi a primeira das 4.875 pessoas que devem ser contempladas com a primeira remessa de vacinas da Pfizer/BioNTech na Hungria, segundo a agência estatal de notícias MTI.

O país europeu soma mais de 315 mil casos de Covid-19 e 8.951 mortes pela doença e seu sistema de saúde foi mantido sob estresse em razão da disseminação do vírus. Na primeira etapa da campanha europeia, serão priorizados médicos que atuam no combate à pandemia e idosos.

Operação de distribuição

Parcialmente confinada e receosa com a disseminação da nova mutação do coronavírus, identificada nas últimas 24 horas na França, Espanha e Suécia, a União Europeia (UE) recebeu neste sábado as primeiras doses de vacinas da Pfizer/BioNTech contra o coronavírus, que já matou mais de 540 mil pessoas na região. À exceção da Hungria, é esperado que os Estados que integram o bloco iniciarão as campanhas no domingo.

Neste sábado, as tão aguardadas doses do imunizante foram entregues em hospitais de vários países, como França, Espanha e Itália. Como já aconteceu nos Estados Unidos, Reino Unido, Chile, Suíça, Costa Rica e México, as primeiras doses serão aplicadas em idosos e profissionais da saúde. Cada país estabelecerá suas prioridades.

— Esta vacina é a chave que permitirá que retomemos as nossas vidas. Esta notícia deve nos animar — disse o ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn.

As vacinas chegam aos países em caminhões frigoríficos que partiram da fábrica da Pzifer em Puurs, nordeste da Bélgica, e são escoltadas pelas forças de segurança. Na Espanha, um caminhão levou transportou um carregamento ao centro de armazenamento da Pfizer em Guadalajara.

As autoridades do país, que registrou mais de 50.000 mortes provocadas pelo novo coronavírus, esperam vacinar até junho do próximo ano entre 15 e 20 milhões de pessoas, de uma população de 47 milhões.

Na Itália, onde as vacinas chegaram na sexta-feira, a primeira vacinada será uma enfermeira de 29 anos em um hospital de Roma. Na região norte também será imunizada Annalisa Malara, a médica que identificou o paciente zero do país.

A Itália é a nação mais enlutada na Europa por esta pandemia, com 71.000 óbitos, mas de acordo com as pesquisas apenas 57% da população pretende ser vacinada.

Os cientistas calculam que imunidade coletiva será alcançada quando entre 75 e 80% da população estiver vacinada. Na França, onde mais de 62.000 pessoas morreram vítimas da Covid-19, as primeiras doses serão aplicadas em duas casas de repouso.