Hypermarcas anuncia venda de negócio de cosméticos para Coty por R$3,8 bi

SÃO PAULO (Reuters) - A Hypermarcas anunciou nesta segunda-feira a venda de seu negócio de fabricação e venda de cosméticos para a francesa Coty por 3,8 bilhões de reais, dentro dos esforços para reduzir seu endividamento e se concentrar na área farmacêutica. O negócio inclui marcas como Bozzano, Biocolor, Monange, Risqué, Paixão e Cenoura & Bronze, dentre outras. A transação, que ainda depende de aval dos órgãos de defesa da concorrência para ser concluído, não envolve os produtos descartáveis, como Jontex, e de cuidados infantis, como as marcas Pom Pom e Sapeca, nem de dermocosméticos. "Quando concluída, a transação marcará um passo transformador para a Hypermarcas, cujo foco estratégico estará voltado para o mercado farmacêutico, que oferece potencial atrativo de crescimento e rentabilidade no longo prazo", disse a empresa em fato relevante. A Hypermarcas disse deve receber os recursos da transação até o segundo trimestre de 2016, e que serão usados principalmente para a reduzir seu endividamento líquido. O lucro líquido da companhia brasileira caiu 36,5 por cento na comparação anual no terceiro trimestre, a 75,4 milhões de reais, pressionado por maiores custos financeiros com dívida devido ao efeito do dólar mais forte e juros mais altos, de acordo com dados divulgados na sexta-feira. A Hypermarcas também estuda a cisão de sua unidade de fralda. Uma fonte disse à Reuters no mês passado que a empresa negociava a vender o negócio para a Kimberly-Clark. No fim de setembro, o endividamento líquido da Hypermarcas somava 3,86 bilhões de reais, um aumento de 34 por cento em 12 meses. O número correspondia a quase quatro vezes a geração de caixa anualizada da companhia medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização), que foi de 277,9 milhões de reais no terceiro trimestre. COTY A Coty informou em julho que iria comprar 43 marcas, incluindo produtos para cabelo Wella e Clairol, da Procter & Gamble, por 12,5 bilhões de dólares, como parte dos esforços para construir sua linha de beleza em meio à feroz concorrência no seu principal mercado de perfume. A empresa disse nesta segunda-feira que o acordo com a Hypermarcas lhe dará uma plataforma para distribuir os produtos da P&G no Brasil, um mercado onde cosméticos dos Estados Unidos estão tendo enorme demanda. "O acordo faz sentido. A região é um mercado em rápido crescimento em termos de cuidados pessoais ... mas a atividade econômica tem pontos de interrogação", disse Neil Saunders, presidente da empresa de pesquisa Conlumino. O consumo das famílias no Brasil caiu 2,1 por cento no segundo trimestre, a pior queda desde 2001. As ações da Coty, que se tornará a terceira maior produtora de cosméticos do mundo, atrás L'Oreal e de Estee Lauder após concluir o negócio com a P&G, subiam cerca de 1,9 por cento. A Coty disse que o negócio comprado da Hypermarcas, maior produtora brasileira de bens de cuidados pessoais, gerou receita líquida de cerca de 253,5 milhões de dólares em 2014. Sob Bart Becht, presidente-executivo nomeado em junho, a Coty está se transformando numa empresa que atrai consumidores mais jovens, mudando o foco para áreas como maquilagem. O negócio com a Hypermarcas deve ser financiado com recursos em caixa e dívida e deve ser concluído até março, disse a Coty. O acordo com a P&G deve ser concluindo na segunda metade de 2016. (Por Raquel Stenzel e Yashaswini Swamynathan)

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