Ian Brady, britânico conhecido como “assassino do pântano”, morre aos 79 anos

Ian Brady, o “assassino do pântano”, morreu aos 79 anos.

O homem, que assassinou cinco crianças com a ajuda de Myra Hindley nos anos 60, faleceu em decorrência de um câncer.

Sua morte ocorreu horas depois de ter sido instado a “fazer a coisa certa” e revelar onde a última de suas vítimas, Keith Bennett, estava enterrada.

Brady se recusou a dar detalhes a respeito de onde escondeu o corpo de Keith, apesar das inúmeras súplicas da mãe do menino, Winnie Johnson, e de outros parentes das vítimas.

Os familiares reagiram à notícia da morte de Brady, e um deles disse que espera que o assassino “apodreça no inferno”.

Terry West, cuja irmã Lesley Ann Downey foi assassinada aos 10 anos, em 1964, disse: “Eu comemorei com uma taça de vinho quando descobri – estávamos esperando por este dia há muito tempo”.

“Eu sinto muito pelo irmão de Keith Bennett e o resto da sua família – isso provavelmente significa que eles nunca saberão onde seu corpo foi enterrado. Ele levou o segredo consigo para o túmulo. Ainda há uma pobre criança naquele pântano”.

Segundo notícias, um membro da família de Lesley Ann Downey publicou online: “Nós, como família, recebemos a melhor notícia de todos os tempos. Brady, o discípulo do diabo, está MORTO!!! Esperamos que você apodreça no inferno!!!!!!!!!!”

O corpo de Keith Bennett nunca foi encontrado (PA)

Terry Kilbride, irmão de John Kilbride, que também foi assassinado, disse ao The Sun: “É difícil digerir. Foram tantos anos de angústia e dor para nós e para as famílias das vítimas”.

“Ele arruinou as nossas vidas durante todos esses anos, e vai continuar a arruiná-las, mesmo após a sua morte. Eu me sinto anestesiado. Ele era um psicopata assassino, um desgraçado. Nós seremos assombrados por um homem morto”.

Lesley Ann Downey (PA)

O assassino em série, que usava o nome de Ian Stewart-Brady antes da sua morte, estava sendo tratado no Hospital Ashworth em Merseyside, onde recebia cuidados paliativos.

Numa audiência no tribunal, realizada em fevereiro, advogados afirmaram que Brady passou os últimos dois anos na cama, e que era “justo dizer” que ele estava terminalmente doente, com um enfisema entre seus transtornos de saúde.

Ian Brady estava sendo tratado no Hospital Ashworth em Merseyside (Wikipedia)

 

Brady e Myra Hindley, que morreu na prisão em 2002, torturaram e assassinaram cinco crianças nos anos 60.

Quatro vítimas foram enterradas no pântano de Saddleworth, no sul dos montes Peninos.

No início da semana, a notícia de que Brady estava muito doente se espalhou.

Uma fonte disse ao The Sun: “Todos estão preparados para a sua morte”.

Nas horas anteriores à morte de Brady, Terry Kilbride, cujo irmão John, de 12 anos, foi assassinado por Brady, implorou que o assassino contasse à polícia onde havia enterrado o corpo de Keith Bennett, que desapareceu aos 12 anos em 1964.

Ele disse ao The Sun: “Eu imploro que ele faça a coisa certa em seu leito de morte e diga onde Keith está. Agora é a hora de parar de mentir e confessar a verdade”.

Brady e Myra Hindley torturaram e assassinaram cinco crianças (Rex)

“Se ele levar este segredo para o túmulo, me sentirei muito mal pela família de Keith”.

“Só haverá outra busca se surgirem evidências novas. Isso precisa vir dele”.

O corpo de Keith Bennett continua desaparecido (PA)

O Sr. Killbride diz que espera que o assassino “apodreça no inferno”.

Ele acrescentou: “Nós certamente iremos celebrar a sua morte quando ela acontecer. Estaremos livres dele”.

Brady foi preso por três assassinatos em 1966 e estava no Hospital Ashworth desde 1985. Mais tarde, Hindley e ele confessaram ter cometido mais dois assassinatos.

Em 2013 ele pediu para ser transferido para uma prisão escocesa, onde não poderia ser alimentado à força – como pode ser no hospital – para que pudesse morrer, caso este fosse o seu desejo.

Seu pedido foi recusado após os médicos especialistas do Ashworth afirmarem que ele tinha doenças mentais e precisava continuar sendo tratado no hospital.

Em fevereiro, foi negado seu pedido para iniciar uma luta no tribunal para que um advogado de sua escolha o representasse no processo em que pedia revisão da decisão.

Crimes sádicos que chocaram uma nação

Mesmo antes de que seus cruéis e sádicos crimes chocassem e indignassem o Reino Unido, Brady era um personagem estranho.

Ele era um menino fascinado por filmes de terror, e recebeu o apelido de Drácula de seus vizinhos, em Glasgow, Escócia. Mais tarde, residentes que viam o jovem desleixado perambulando por Hattersley, na região metropolitana de Manchester, com seu casaco de chuva, diziam que ele parecia um agente funerário.

Estes apelidos voltaram a fazer sentido depois que se soube que Brady havia assassinado brutalmente cinco crianças, enterrando quatro corpos numa região pantanosa, isolada.

Em todo o Reino Unido houve uma sensação massiva de repugnância pela dupla que pegava crianças nas ruas, abusava sexualmente delas e as torturava até a morte.

As evidências vistas e ouvidas em seu julgamento em Chester Assizes arrepiaram os participantes.

A primeira de suas vítimas foi Pauline Reade, de 16 anos, que desapareceu em 12 de julho de 1963 enquanto caminhava até uma discoteca perto de sua casa em Gordon, Manchester.

Ela foi atraída até os pântanos por Hindley, que disse que havia perdido suas luvas no local e precisava de ajuda para encontrá-las.

Somente duas décadas depois, os pais enlutados de Pauline descobriram exatamente o que havia acontecido com sua filha.

O corpo da menina foi encontrado em 1987, após a confissão de Brady e Hindley afirmando que haviam cometido o assassinato.

Eles foram levados até o pântano de Saddleworth, onde localizaram a cova rasa feita mais de vinte anos antes.

Pauline ainda estava usando seu vestido de festa cor-de-rosa e dourado, além de um casaco azul.

Brady deu uma pancada em sua cabeça, e cortou sua garganta com tanta força que a medula espinhal da menina foi danificada.

Os especialistas afirmaram que era impossível dizer se Brady havia abusado sexualmente de sua vítima.

Quatro meses após o desaparecimento de Pauline, um dia após o assassinato do Presidente John F. Kennedy, nos Estados Unidos, John Kilbride, de 12 anos, se tornou a segunda vítima de Brady.

Em meio à comoção causada pelo assassinato presidencial, pouca atenção foi dada ao sumiço do menino de Manchester.

Brady sob custódia da polícia.

John foi atraído até o pântano, onde sofreu abusos sexuais e foi assassinado.

Brady tirou uma foto de Hindley em pé ao lado do túmulo do menino segurando seu cachorro de estimação. A imagem acabou levando a polícia ao local onde John foi enterrado.

O corpo da terceira vítima, Keith Bennett, de 12 anos, nunca foi encontrado.

Keith morreu após deixar sua casa em Chorlton-on-Medlock em Manchester, em 16 de junho de 1964.

A polícia deu início a uma busca intensiva nos pântanos em 1986, em meio a relatos de que a dupla havia confessado o assassinato do menino.

No entanto, embora Brady e Hindley tenham sido autorizados a ir até o pântano para tentar lembrar onde os restos de John estavam, nada foi encontrado.

Foi o próximo crime de Brady e Hindley que selou a reputação perversa de ambos: o assassinato de Lesley Ann Downey, de 10 anos, no feriado de Boxing Day, em 26 de dezembro de 1964.

Ela se tornou a vítima mais jovem da dupla ao ser atraída, quando estava num parquinho, sendo levada à casa que Hindley compartilhava com sua avó em Hattersley.

Brady tirou as roupas da menina, abusou sexualmente dela e a torturou, forçando-a a posar para fotos pornográficas.

Seus últimos momentos foram gravados numa angustiante fita de áudio, de 16 minutos e 21 segundos.

A menina aterrorizada implorava por compaixão, chamava sua mãe e pedia que Deus a ajudasse, antes da sua voz ser sufocada para sempre.

A fita foi gravada na casa na avenida Wardle Brook, em Hattersley, enquanto Lesley Ann dizia “Por favor Deus, me ajude” e “Não tire a minha roupa, por favor”.

Suas súplicas levaram o juiz, o júri, os espectadores presentes no tribunal e até os oficiais de polícia às lágrimas.

John Stalker, que na época era sargento detetive, expressou os sentimentos de muitos no tribunal quando disse: “Nada no comportamento criminal antes ou depois deste acontecimento penetrou o meu coração com a mesma intensidade paralisante”.

Os detetives não conseguiram descobrir exatamente como Lesley Ann havia morrido. Seu corpo foi encontrado nu, exceto por suas meias e sapatos.

Se a dupla de assassinos não tivesse cometido um erro crucial ao envolver o cunhado de Hindley, David Smith, em seu próximo crime, o assassinato de Edward Evans, de 17 anos, poderia não ter sido o último de ambos.

Edward foi atraído quando estava num bar gay, e foi até uma casa compartilhada por Hindley e Brady em Hattersley.

Smith foi chamado até o local por meio de um telefonema, sob um pretexto falso.

Ele foi forçado a assistir enquanto Brady atacava Evans com um machado, o asfixiava em uma almofada, e completava sua terrível tarefa com um cabo elétrico.

Chocado, Smith ajudou a dupla a carregar o corpo amarrado até um quarto. Em seguida, ele fugiu aterrorizado, e chamou a polícia.

Na manhã seguinte os policiais revistaram a casa e começaram a desvendar as evidências macabras dos crimes assustadores de Brady e Hindley.

Brady tinha 28 anos quando, em maio de 1966 foi condenado, junto com Hindley, pelo assassinato de Lesley Ann e Edward.

Ele também foi condenado pelo assassinato de John Kilbride, e recebeu três sentenças de prisão perpétua.

Em 1987 Brady finalmente confessou ter cometido os assassinatos de Pauline Reade e Keith Bennett, mas não foi julgado formalmente por estes crimes.

Andy Wells

Yahoo News UK