IBC-Br fica quase estável em setembro, mas aponta crescimento da atividade no 3º tri

Pedestres caminham em frente à sede do Banco Central, em Brasília

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira ficou praticamente estável em setembro, em resultado bem mais fraco do que o esperado, mas ainda assim terminou o terceiro trimestre com expansão, de acordo com dados do Banco Central.

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) registrou variação positiva de 0,05% em setembro na comparação com o mês anterior, de acordo com o dado dessazonalizado do indicador que é um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado volta a ficar no azul depois de ter contraído em agosto 1,13%, em dado que não foi revisado pelo BC, mas ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,20%.

Ainda assim, o IBC-Br terminou o terceiro trimestre com crescimento de 1,36% em relação aos três meses anteriores, depois de uma expansão de 0,69% no segundo trimestre.

O IBGE divulgará os dados oficiais do PIB do terceiro trimestre no dia 1 de dezembro, depois de informar que a economia teve no segundo trimestre crescimento de 1,2%.

Na comparação com setembro do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 4,00%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 2,34%, de acordo com números observados.

"Apesar da estabilidade do IBC-Br em setembro, os indicadores mensais reforçam atividade econômica robusta no país, liderado pelo setor de serviços. Os estímulos fiscais implementados aliados a sazonalidade do final do ano devem continuar sustentando o forte desempenho do segmento de serviços, além de trazer fôlego adicional para o comércio", avaliou Felipe Sichel, sócio e economista-chefe do Banco Modal.

Em setembro, a produção industrial brasileira voltou a cair, a uma taxa de 0,7%, e encerrou o terceiro trimestre com perda de ritmo.

Por outro lado, as vendas no varejo do Brasil cresceram bem mais do que o esperado no mês, 1,1%, mas ainda assim encerraram o terceiro trimestre com perdas.

Já o setor de serviços, principal motor da economia brasileira, viu o volume aumentar pela quinta vez seguida em setembro e acima do esperado, atingindo o melhor nível da série histórica iniciada em 2011.

No entanto, a expectativa para o final deste ano é de enfraquecimento da economia, mesmo diante de estímulos fiscais, conforme os efeitos defasados do forte aperto monetário adotado pelo Banco Central começam a aparecer.

"Esses resultados (dos setores) reforçam a expectativa de acomodação do ritmo de crescimento da atividade econômica no terceiro trimestre, condizente com nossa projeção de expansão ao redor de 0,5% no período e de 2,7% no ano", disse o Bradesco em nota.

Com a inflação pesando nos bolsos dos consumidores este ano, o BC elevou a taxa básica de juros Selic para os atuais 13,75%, patamar em que deve encerrar 2022.

Uma das grandes preocupações envolve os planos de gastos extra-teto para o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente. Investidores estão à espera da definição do texto da PEC de Transição, para permitir gastos extra-teto em 2023.

A pesquisa Focus realizada semanalmente pelo BC com uma centena de economistas aponta que a expectativa é de que o PIB cresça 2,77% neste ano, desacelerando a uma expansão de 0,70% em 2023.