Indicador do BC aponta crescimento maior do que o esperado da atividade econômica em julho

Consmidores fazem compras em rua comercial no centro de São Paulo

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - Indicador do Banco Central visto como um sinalizador do PIB apontou um crescimento de 1,17% da atividade econômica em julho sobre o mês anterior, bem acima do esperado pelo mercado.

O dado, divulgado nesta quinta-feira, vem após o Produto Interno Bruto ter surpreendido no segundo trimestre com crescimento acima do projetado, mesmo com a inflação alta corroendo o poder de compra.

Analistas projetavam uma alta de 0,30% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho, na comparação mensal com dados dessazonalizados, segundo pesquisa da Reuters.

Em relação a julho do ano anterior, o IBC-Br registrou avanço de 3,87% e, em 12 meses, acumulou alta de 2,09%, de acordo com números observados

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados ao longo deste mês mostraram que serviços mais uma vez foi motor da atividade em julho, com crescimento bem superior ao esperado, de 1,1%, sobre o mês anterior. A produção industrial também cresceu, ainda que a ritmo menor, de 0,6%, após retração em julho.

Já o comércio foi novamente o patinho feio, com retração de 0,8%, pior desempenho para o mês em quatro anos.

O desempenho segue tendência geral verificada no primeiro semestre, quando o PIB também foi sustentado pelo setor de serviços, que ganhou força com a abertura econômica pós pandemia.

A atividade também tem recebido fôlego de medidas adotadas pelo governo para aquecer a economia no ano eleitoral, que incluíram a antecipação do 13º para aposentados, liberação de recursos do FGTS e, mais recentemente, desonerações dos setores de combustíveis e energia e aumento do valor do Auxílio Emergencial.

O economista do banco Goldman Sachs Alberto Ramos disse esperar que alguns dos setores de serviços ainda impactados pela Covid se recuperem mais nos próximos meses, apoiados em parte por estímulos fiscais.

"Mas, à frente, os retornos marginais decrescentes da normalização da atividade econômica pós-Covid, o impacto defasado do recente aperto monetário e financeiro, condições de crédito cada vez mais exigentes, alto nível de endividamento das famílias e desaceleração contínua da economia global devem adicionar ventos contrários à atividade econômica no final de 2022 e primeiro semestre de 2023", afirmou.

O governo elevou nesta quinta a projeção oficial para o desempenho da atividade econômica em 2022, em visão mais otimista do que a observada no mercado, também estimando números melhores para a inflação.

No segundo trimestre, o PIB cresceu 1,2% sobre os três meses imediatamente anteriores, acima do 0,9% esperado por economistas. A alta acumulada no semestre foi de 2,5% sobre o mesmo período de 2021.