IBGE faz teste para Censo 2022 em comunidades de Nova Iguaçu

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Desde a última quinta-feira, equipes de pesquisadores do IBGE estão batendo de porta em porta na comunidade Zumbi dos Palmares, em Nova Iguaçu, para que os moradores respondam um questionário com informações sobre o domicílio, raça, renda familiar, saneamento básico e coleta de lixo, por exemplo. Três pesquisadores identificados com crachá e colete do IBGE devem abordar moradores de aproximadamente 260 casas na favela pelas próximas semanas para responder 26 perguntas do questionário básico e 77 do questionário da amostra, que dura cerca de dez minutos.

Além da comunidade Zumbi dos Palmares, as equipes começam nesta segunda-feira, a coleta de informações na comunidade Jardim São João, também em Nova Iguaçu, onde estimam passar por 80 domicílios. Outro local que será testado é um hotel em Comendador Soares que foi ocupado por diversas famílias.

— Nessas áreas como não existe um padrão urbanístico, dificulta um pouco o trajeto e a cobertura desse setor, e a gente precisa fazer testes para ver como fazer essa cobertura da pesquisa sem deixar ninguém para trás — explica o coordenador de área do IBGE, Felipe Feijó.

Esta coleta de dados faz parte da fase de testes nacionais iniciada na semana passada pelo IBGE para o Censo de 2022. Segundo Felipe Feijó, o teste vai avaliar o aplicativo usado para registrar as informações do questionário, se o questionário funciona, se é claro para os moradores, e o se os dados são fiéis à realidade, além do percurso feito pelos pesquisadores para evitar omissões de domicílios na pesquisa. Para a escolha da comunidade Zumbi dos Palmares, Feijó levou em conta alguns critérios:

— Primeiro foi escolhido que a pesquisa de aglomerados subnormais (favelas) seria em Nova Iguaçu por uma questão de logística, e levantamos as favelas daqui. Eu analisei questão de segurança, acesso da equipe, proximidade com o centro e lá foi a mais acessível — explica.

A cidade de Engenheiro Paulo de Frontin foi escolhida para o teste do Censo 2022, onde já foi realizada uma fase da pesquisa, lá os dados serão coletados em todo o município. A escolha de Nova Iguaçu para o teste nas regiões de favelas foi pelo número significativo de comunidades na cidade e a relativa proximidade com o outro município que será testado, a cerca de 50km de distância.

O padeiro Silvano Gomes, de 59 anos, morador da favela Zumbi dos Palmares há 25 anos, considera importante responder ao questionário do IBGE:

— Tem que levar ao pé da letra para entender como vivem as pessoas. Se todo mundo colaborar, quem sabe as coisas melhorem um dia por aqui.

O aposentado Carlos Alberto Nascimento, de 64 anos, mora na região há mais de 30 anos, e lamenta falta de investimento na comunidade.

— A gente que tem que fazer as coisas, porque a prefeitura não faz (obras na rua). A pesquisa foi legal. Pelo menos o pessoal fica sabendo as coisas que tem que fazer —afirma.

A auxiliar de limpeza Ruth dos Santos Oliveira, de 53 anos, vive no Zumbi dos Palmares há 22 anos. Ela acredita que as autoridades podem usar as informações sobre educação, saúde e trabalho para desenvolver essas áreas no local.

— Achei interessante a pesquisa. Se é para trazer benefício para a comunidade, é sempre bem-vindo.

Os testes do Censo 2022 em Nova Iguaçu devem durar cerca de duas semanas. A coleta de dados do Censo está prevista para começar em junho do ano que vem, nesta ocasião, os pesquisadores retornarão a estes locais testados para nova pesquisa. No estado, também serão recenseadas como teste, ainda este mês, terras indígenas e territórios quilombolas de Angra dos Reis e Paraty.

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