Fim do Ibirapuera? Rubinho, Marcelo Negrão repercutem os efeitos da privatização no esporte

·3 minuto de leitura
SAO PAULO, BRAZIL - DECEMBER 06: An aerial view of the Ibirapuera Sporting Complex on December 6, 2020 in Sao Paulo, Brazil. The traditional sports center had a request to be part of the heritage of the city denied, paving the way for concession to the private initiative. The governor of Sao Paulo, Joao Doria, presented a project to transform the venue into a multipurpose arena with a capacity for 20,000 people for sporting and cultural events, a shopping mall and a commercial tower attached to a hotel. (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)

Vista aérea do Complexo Ibirapuera (Rodrigo Paiva/Getty Images)

Por Artur de Figueiredo

O ano de 2020 deixou bastante marcas para o esporte brasileiro. Se a pandemia de Covid-19 já deixava um reflexo bastante preocupante para o mundo, a epidemia trouxe para um âmbito socio-cultural-econômico, um status de crise sanitária global e uma reflexão profunda sobre a gestão esportiva ao redor do planeta.

O governador de São Paulo, João Dória Jr, do PSDB, anunciou mudanças, já no começo do seu mandato, que incluíam diversas reformas e privatizações em diversos setores, em especial parques, praças, locais de shows e eventos, como o Anhembi (reduto do samba paulistano), complexos esportivos, como: o estádio Paulo Machado de Carvalho, um dos principais palcos no futebol paulista, o estádio do Pacaembu, a pista de Interlagos (circuito automobilístico que representa o país em provas da Fórmula 1 desde 1972, e demais categorias).

Leia também:

Um dos símbolos do esporte paulista e brasileiro, o Ibirapuera, foi um dos primeiros a ser declarado como parte do projeto neoliberal do atual governador do estado de São Paulo. Localizado na zona Sul da capital paulista, o complexo é referência em formação de atletas, além de grandes competições esportivas.

Além do Parque, concentra-se na região, o estádio Ícaro de Castro Melo e o ginásio do Ibirapuera (Palco do vôlei, basquete, grandes competições). Com o anuncio de privatizações, o complexo esportivo, terá mudanças estruturais e um reflexo na formação de atletas e na inserção de esporte e lazer na capital paulista.

2 representantes do vôlei, do esporte paulista: os campões olímpicos Marcelo Negrão (Barcelona-1992) e Rubinho (ex-auxiliar técnico da seleção masculina de vôlei), ambos defendem o Sesi, trataram de definir quais são os efeitos, reflexos do fim do complexo Ibirapuera e as lembranças

Para Marcelo Negrão, algumas reformas são necessárias, uma vez que sejam para a melhoria do esporte na cidade de SP.

“Participei de grandes momentos naquele ginásio, foram grandes vitórias ali dentro, tenho uma história muito bonita na qual sou muito agradecida a Deus por ter estado ali, mas acho que se tiver um projeto de modernização, valeria muito a pena”, destaca.

Para o treinador do Sesi-SP, que teve passagens por diversas equipes paulistas, representante da cidade, acredita num projeto que vise otimizar o espaço do Ibirapuera, com um foco na sustentabilidade econômica. “Hoje o que vejo é um lugar grande, sem uso e isso além de triste, custa muito caro para se manter, acho que um projeto onde a utilização sendo maior com todas as instalações que um ginásio de primeiro mundo tem, o Ibirapuera merece”, enfatiza.

Sobre o fim do complexo do Ibirapuera, o técnico do Sesi Bauru, Rubinho, outro importante personagem do vôlei paulista. O ex auxiliar técnico da seleção masculina de vôlei mostra visões antagônicas sobre a citada privatização. “Eu não sou contra totalmente de uma privatização, mas acredito teria condições pela própria área que é de se fazer um empreendimento que se mantivesse as características do lugar.

Com o projeto de construção de mais um shopping na cidade de São Paulo, a clara intenção do atual governo estadual visa muito mais a ampliação dos setores de entretenimento na região e exclusão do esporte, destaca o treinador. “Aparentemente, o projeto é muito mais comercial, que esportivo. Acho que deveria ser revisto, talvez, uma forma que privilegiasse o esporte, um novo espaço esportivo e aliando isso, o que acontece ao redor do mundo, com uma infraestrutura, hotelaria, que fosse um centro que houvesse varias utilizações. Desaparecer a estrutura existente parece ser um absurdo”.

Estão entre as possíveis mudanças a construção de um Shopping Center, a remodelagem do ginásio do Ibirapuera para uma Arena Multiuso e o fim do estádio Ícaro de Castro Melo

A pedido de atletas, a justiça suspendeu a demolição do complexo esportivo. Entretanto, o edital para concessão do terreno para a iniciativa privada continua em progresso.