Ibope: aprovação do governo cai 15 pontos em 3 meses. É o fim da lua de mel?

O presidente Jair Bolsonaro durante reunião com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Bení­tez, no Palácio do Planalto, em Brasília

Como é possível perder 15 pontos de aprovação em menos de 3 meses de governo?

“Pergunte-me como”, diria Jair Bolsonaro.

Desde a posse, a moral do novo governo caiu de 49% para 34%, segundo uma pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira, dia 20.

É a pior avaliação dos três primeiros meses de administração da série histórica, com exceção dos inícios de segundo mandato de Dilma Rousseff (12%) e Fernando Henrique Cardoso (22%). Em 1995, porém, o tucano largou com 41% de aprovação e a petista, com 56% – ambos, portanto, levaram quatro anos e três meses para ver a popularidade se derreter.

De acordo com o levantamento, 24% dos eleitores consideram a administração ruim ou péssima (eram 11% no início do ano).

Descolado da própria administração, a moral do presidente segue em alta, embora menor que em meses anteriores: 51% ainda aprovam a maneira de Bolsonaro governar e 49% demonstram confiança no presidente (esses índices eram de 57% e 55%, respectivamente).

É cedo para dizer que a pesquisa indica o fim da lua de mel entre o governante e os eleitores, mas os números apontam uma espécie de ajuste entre expectativa e realidade do início do ano para cá. (Com um detalhe: 34% de aprovação é ainda um latifúndio para os padrões do Brasil atual; Michel Temer, por exemplo, atravessou o Rubicão com 7%).

Na reta final da campanha, quando a preferência por Bolsonaro já não era só papo de radicais – e passou a ser assumida pela tia, pelo vizinho tranquilão e pelo dono da quitanda que não queriam ouvir falar do PT – muitos apostavam que as posições extremas do candidato seriam modeladas para caber no terno de presidente. Outros diziam, a certo custo: ele pode ser bronco, mas é honesto.

Ninguém precisava saber que o motorista da família e dois ministros escolhidos a dedo pelo presidente estavam envolvidos em esquemas envolvendo laranjas e transações suspeitas para perceber que a realidade seria mais dura do que aquela vendida nos grupos de WhatsApp da família. Bastava um tuíte perguntando o que era Golden shower.

Pois uma coisa é eleger um candidato que se comporta como adolescente nas redes. Outra é ser governado por ele.

Graças a um maluco criminoso que resolveu esfaquear o candidato por quem alimentava ojeriza, Bolsonaro passou boa parte da campanha com dois trunfos na mão: exposição e ausência de confronto.

Compensou, assim, a falta de tempo de TV de um partido nanico sem precisar participar de debates e demonstrar em público que, fora os ataques a adversários e a todo tipo de oposição (sobretudo na imprensa), não tinha lá grandes ideias para tirar o país do atoleiro.

Uma vez recuperado, e já com a faixa de presidente no peito, não precisou mudar de calçada para sentir o baque na popularidade; bastou ficar onde estava e agir como se fosse…ele mesmo.

O jogo, vale lembrar, mal começou.

Daqui em diante, o grande teste para a sua popularidade será uma equação complexa entre as expectativas dos eleitores e as do mercado, este ansioso pela aprovação da reforma da Previdência.

Enquanto negocia com o Congresso, Bolsonaro vai precisar de habilidade e traquejo para comunicar que os sacrifícios previstos em uma proposta em tese impopular podem ser benéficos para o futuro e o presente do país.

Vai precisar também de energia e capital político, queimados toda vez que usa as redes para promover polêmicas vazias e inflamar a militância.