Ibovespa avança pelo 2º pregão seguido com perspectivas melhores sobre Covid-19

Por Paula Arend Laier
Painel na bolsa de valores de São Paulo

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira pelo segundo pregão seguido, com bancos entre os principais suportes, embora o enfraquecimento em Wall St tenha afastado as ações domésticas das máximas da sessão, quando se aproximou de 80 mil pontos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 3,08%, a 76.358,09 pontos, tendo chegado a 79.855,48 pontos no melhor momento do dia. O volume financeiro somou 26,8 bilhões de reais.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 perdeu fôlego à tarde e encerrou em baixa de 0,16%, a 2.659 pontos, após chegar a 2.756 pontos na máxima. Na Europa, o FTSE 100, em Londres, avançou 2,19%, depois de a bolsa de Tóquio ter fechado com o Nikkei com elevação de 2,01%.

A trajetória positiva nos mercados globais refletiu perspectivas de que o ritmo de contágio em algumas regiões na Europa e nos EUA pode ter alcançado o pico, ou estar próximo, mas a piora das bolsa em Nova York, mostrou que as incertezas continuam elevadas.

Ainda há dúvidas relevantes sobre o efeito das medidas de restrição de circulação nas economias, bem como o momento em que terá início a retomada da atividade econômica.

O BNP Paribas voltou a revisar sua projeção para o PIB do Brasil e agora espera contração de 4% em 2020, acompanhada de forte deterioração fiscal. Eles calculam que, em razão de medidas para atenuar os efeitos da pandemia, a dívida bruta deve subir para cerca de 90% do PIB.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou que o setor público consolidado brasileiro caminha para registrar um déficit primário de até 500 bilhões de reais neste ano por causa do impacto da crise do Covid-19, mas frisou que a questão fiscal não é prioritária no momento.


DESTAQUES

- YDUQS ON avançou 19,32%, encontrando suporte na retomada do apetite a risco, uma vez que o papéis têm sofrido com preocupações sobre o efeito da pandemia no ritmo de atividade do setor, bastante sensível a dados de emprego e renda. COGNA ON fechou em alta de 6,67%.


- BR DISTRIBUIDORA ON valorizou-se 14,97%, também experimentando recuperação após sofrer vendas com as perspectivas de menor demanda de combustíveis. ULTRAPAR ON subiu 3,54% e COSAN ON mostrou ganho de 2,72%.


- BRADESCO PN e ITAÚ UNIBANCO PN subiram 3,76% e 3,7%, respectivamente, com o setor mostrando ganhos expressivos. BANCO DO BRASIL ON ganhou 4,7%.


- PETROBRAS PN fechou com elevação de 3,99% e PETROBRAS ON mostrou aumento de 2,54%, mesmo com a queda do petróleo no exterior. A petrolífera aprovou uma produção de petróleo no Brasil para abril de 2,07 milhões de barris por dia (bpd), enquanto acena com parcelamento de fatura de distribuidoras de gás. Ainda, o Credit Suisse reduziu o preço-alvo do ADR para 14 dólares, de 21 dólares antes, mas manteve a recomendação 'outperform'.


- VALE ON avançou 1,51%, acompanhando o movimento de papéis de mineração e siderurgia na Europa, diante das perspectivas mais positivas para a retomada da economia chinesa após o efeito negativo do novo coronavírus.


- GOL PN subiu 7,88%. A aérea suspendeu suas projeções e estimou manter a maior parte de sua frota em terra em abril e maio, além de divulgar outras medidas e projeções preliminares para o resultado do primeiro trimestre. AZUL PN fechou estável, com a sessão marcada pela divulgação de dados de tráfego em março, que refletiram os primeiros impactos da pandemia de Covid-19. Na máxima, mais cedo, saltou 14,7%.


- NOTRE DAME INTERMÉDICA ON subiu 11,63%, em meio ao sentimento mais positivo em relação ao ritmo de contágio do novo coronavírus. No setor de saúde, HAPVIDA avançou 12,33% e QUALICORP ON avançou 9,67%.


- SUZANO ON caiu 7,07%, entre as poucas baixas da sessão, marcada pelo declínio do dólar ante o real. O papel também vem de uma valorização de mais de 11% nos primeiros pregões de abril. KLABIN UNIT recuou 2,37%.