Ibovespa descola do exterior e sobe 1%, mas giro financeiro fica abaixo da média

Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa teve alta nesta segunda-feira, descolado de bolsas no exterior, com a varejista alimentar GPA e a petroquímica Braskem disparando, embora o volume financeiro negociado no pregão tenha mais uma vez ficado abaixo da média recente.

Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa subiu 0,97%, a 118.811,74 pontos, na máxima da sessão. O volume financeiro somou 24,18 bilhões de reais, mais uma vez abaixo da média do ano, de 36,3 bilhões de reais.

"Os mercados iniciaram a semana sem muita volatilidade, sem muitas notícias que pudessem de fato mexer com o mercado", avaliou o sócio e responsável por alocações de fundos de fundos da Kilima, Renato Mekbekian.

Ele ressaltou contudo que há dois eventos locais, em particular, que podem adicionar volatilidade nos próximos dias.

Um deles é a votação pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira para instalação da CPI da Covid no Senado, com o presidente Jair Bolsonaro pedindo que se analise também governadores e prefeitos.

Além disso, acrescentou Mekbekian, Bolsonaro tem 10 dias para sancionar o Orçamento de 2021 e ainda não foi fechado um acordo sobre determinados vetos, que podem fazer as despesas públicas superarem o teto a depender do desfecho.

Em Wall Street, o S&P 500 e o Dow Jones recuaram, com os investidores esperando por sinais da próxima temporada de balanços corporativos e um importante relatório de inflação a ser divulgado nesta semana.

DESTAQUES

- GPA ON disparou 9,79%, replicando movimento registrado em vários pregões em março, quando os papéis reagiram à cisão do Assaí e expectativas sobre os próximos passos do varejista, incluindo eventual venda de ativos. No mês passado, os papéis acumularam elevação de 201,91%. Até a última sexta-feira, o desempenho em abril estava positivo em 1,57%.

- BRASKEM PNA saltou 7,82%, renovando máxima intradia em quase um ano, mais uma vez apoiada por noticiário relacionado à venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica. O Brazil Journal reportou que executivos e empresários do setor petroquímico acreditam que a melhor forma de a Novonor monetizar essa participação seria formar um grande consórcio com empresas internacionais e nacionais e investidores financeiros.

- PETROBRAS PN avançou 1,01% após acordo sobre compensação envolvendo os campos de Sépia e Atapu e em meio à alta dos preços do petróleo no exterior. Na assembleia de acionistas, em andamento, o presidente-executivo Roberto Castello Branco foi destituído do conselho de administração. Acionistas ainda votar nesta segunda a nova composição do colegiado.

- ITAÚ UNIBANCO PN ganhou 2,48%, após ajuste negativo na semana anterior, com BRADESCO PN fechando em alta de 2,06%. No setor, BANCO INTER UNIT, que não está no Ibovespa, disparou 8,08% após prévia operacional forte para o primeiro trimestre, que terminou com uma base de 10,2 milhões de clientes, alta de 106% ano a ano.

- VALE ON subiu apenas 0,39%, com CSN e USIMINAS PNA tendo os melhores desempenhos no setor de mineração e siderurgia na B3 com elevação de 1,83% e 1,09%, respectivamente. GERDAU PN avançou apenas 0,32%.

- ELETROBRAS PNB e ELETROBRAS ON caíram 2,84% e 2%, respectivamente, com o mercado sensível ao noticiário ligado à aguardada privatização da elétrica.

- AZUL PN recuou 2,54%, em sessão sem sinal único para o setor de viagens, vulnerável à situação à crise sanitária em decorrência do coronavírus, com GOL PN caindo 0,51%, mas CVC BRASIL ON fechando em alta de 1,67%. Outros papéis sensíveis à pandemia também recuaram, como shopping centers, com BRMALLS ON perdendo 1,31%.

- REDE D'OR SÃO LUIZ ON, que não está no Ibovespa, avançou 4,66%, após assinar acordo vinculante para comprar 51% no Hospital Nossa Senhora das Neves. Para analistas do Bradesco BBI, o movimento fortalece a consolidação nacional e a estratégia de expansão acelerada da Rede D'Or.

- ALLIED ON recuou 4,56% em estreia o segmento Novo Mercado da B3 após precificar IPO a 18 reais por ação, com efetivo aumento de capital de 180 milhões de reais. Desde a abertura, oscilou de 17,18 reais na mínima a 19,23 reais na máxima até o momento.