Ibovespa cai acompanhando exterior, por medo de descontrole na inflação. Dólar sobe

Nesta quarta-feira, o dólar sobe e o Ibovespa, principal índice de valores da Bolsa brasileira, tem queda. Além do risco fiscal, o que pesa bastante no mercado hoje é o cenário exterior. Com inflação ainda fora do controle, a expectativa é que economias desenvolvidas decidam por novos aumentos em suas taxas básicas de juros.

Por volta de 12h30 do horário de Brasília, o Ibovespa apresentava queda de 0,56%, aos 109.450 pontos. Já o dólar tinha variação positiva de 0,18%, chegando a R$ 4,8820.

Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, diz que investidores temem a crescente inflação e, por consequência, a política monetária global.

— Os últimos indicadores de atividade e de emprego mostraram uma economia ainda aquecida no exterior. Então, o mercado, que calculava que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central Americano) iria subir a taxa de juros até 3%, já está esperando um aumento maior. As Bolsas de todo o mundo começam, então, a realizar uma projeção de perda — explica.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) declarou que mais altas de juros podem ser necessárias em países emergentes para ancorar as expectativas de inflação e ajudar a evitar saídas de capital estrangeiro, visto que economias desenvolvidas devem ser mais agressivas em suas políticas monetárias.

O Banco da Inglaterra deve elevar sua taxa de 1% para 2,5% até 2023, assim como deve ocorrer no Canadá. Para os Estados Unidos, a OCDE projeta elevação até 3,25% até o fim do ano que vem.

Na América Latina, os ciclos de alta de juros seguem em ritmo acelerado. No México, os efeitos inflacionários em decorrência da ruptura nas cadeias de abastecimento pesam. Já na Argentina, há necessidade de reforçar a política macroeconômica e frear a inflação.

No Chile, a situação não é muito diferente. Nesta quarta, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou o principal índice de inflação do país. A taxa chilena teve aumento de 1,2% na comparação entre maio e abril. Em 12 meses, a inflação já chega a 11,5% — maior patamar desde 1994.

Commodities em queda

Mesmo com a reabertura econômica da China após medidas restritivas para conter a covid, os preços do minério de ferro encerraram a quarta-feira com leve queda.

No norte da do país asiático, que é o maior importador desse produto, o minério de ferro teve recuo de 0,2%, passando a ser negociado a US$ 146,90 por tonelada.

No Brasil, as ações de commodities, exceto as petroleiras, lideram quedas na Bolsa. As ordinárias de Vale (VALE3) têm queda de 2,03%, às 12h37, negociadas a R$ 88,80. Gerdau (GGBR4), por sua vez, chega a R$ 29,61, após perder 2,57%.

A Suzano (SUZB3) cede 2,58%, cotada a R$ 52,90, enquanto a Companhia de Siderurgia Nacional (CSNA3) recua 2,71%, avaliada em R$ 21,56.

Na contramão, Petrobras tem ganhos de 0,52% em ambos os papéis, com PETR3 negociado a R$ 34,04 e PETR4, a R$ 30,82. Além da valorização do principal insumo da companhia no exterior, a discussão sobre os combustíveis ajuda nas altas. É que, com a solução de reduzir impostos, investidores acreditam que não haverá interferência na política de preços da estatal.

Os preços do petróleo apresentam alta no dia, com a abertura econômica da China, o que deve aumentar a demanda mundial. Também contribui a informação de que, na Noruega, vários trabalhadores do setor planejam greve a partir de 12 de junho para contestar salários. Isso coloca em risco parte da produção do óleo.

No início da tarde, os contratos futuros do Brent subiam 1,1%, avançando para US$ 121,88 por barril, enquanto o petróleo bruto dos EUA West Texas Intermediate (WTI) tinha alta de 1,0%, passando a US$ 120,59.

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