Ibovespa estende sequência de baixas com peso de Vale e siderúrgicas; Eletrobras avança

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Telão mostras cotações na B3

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa brasileira caiu nesta quarta-feira pela quarta sessão consecutiva, pressionado por Vale e siderúrgicas, após resultados do primeiro trimestre, em sessão sem direção comum em Wall Street.

Natura desabou mais de 15% e também foi destaque negativo, enquanto Eletrobras disparou em meio à discussão sobre o período de pedido de vista em julgamento sobre privatização da companhia no Tribunal de Contas da União (TCU).

O Ibovespa caiu 0,62%, a 114.343,78 pontos, o menor patamar de fechamento desde 17 de março. O volume financeiro foi de 25,6 bilhões de reais. A bolsa permanecerá fechada na quinta-feira para feriado, voltando com as negociações na sexta-feira.

"Quem derruba Ibovespa hoje é principalmente o índice de materiais básicos", disse Fabrício Gonçalvez, presidente-executivo da Box Asset Management, em referência às ações de siderurgia e mineração. Ele também destacou desempenho negativo do varejo, em meio às preocupações com inflação no mundo.

Em Nova York, as ações de Netflix desabaram 35,1%, após companhia registrar entre janeiro e março sua primeira queda na base de assinantes em uma década, o que ajudou no desempenho negativo do Nasdaq Composite. O S&P 500 fechou estável e o Dow Jones subiu.

O "Livro Bege", relatório do banco central norte-americano sobre a economia do país, divulgado nesta tarde, não levou a grandes movimentos na sessão. A economia dos EUA se expandiu num ritmo moderado de fevereiro até o início de abril e empresas tiveram dificuldades com a inflação alta e a escassez de trabalhadores, mostrou o documento.

DESTAQUES

- VALE ON caiu 2,6%, após a mineradora divulgar queda de 6% na produção de minério de ferro no primeiro trimestre deste ano em comparação anual, enquanto o volume de vendas da commodity recuou 9,6%. Porém, a empresa reportou também alta no prêmio do seu produto de melhor qualidade. Analistas do JPMorgan disseram que os números operacionais desapontaram e cortaram a projeção de vendas de minério de ferro no ano pela Vale para um nível menor do que a meta da companhia. Os contratos futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian fecharam em baixa.

- ELETROBRAS PNB teve alta forte de 4,6%, em meio ao julgamento no TCU. Após o fechamento, o ministro Vital do Rêgo concordou em um pedido de vista de 20 dias para estudar o processo. Ele havia requerido 60 dias adicionais, mas alguns de seus colegas argumentaram contra e propuseram um período menor - em certo momento falou-se até em sete dias - o que fez as ações dispararem até 7,6%, na máxima da sessão. O pregão encerrou enquanto a discussão ainda estava em andamento.

- USIMINAS PNA recuou 6,3%, depois de registrar lucro líquido praticamente em linha com a expectativa do mercado, enquanto a receita líquida veio pouco abaixo das estimativas. A empresa anunciou estimativa de vendas de aço no segundo trimestre e disse em teleconferência com analistas que vai reduzir exportação no período. A Usiminas ainda adiou em dois meses conclusão de reparo de alto-forno em Ipatinga, que ocorre paralelamente a problemas com baterias de coque na unidade. Outras siderúrgicas também cederam.

- NATURA ON desabou 15,6%, maior queda desde meados de novembro.

- PETROBRAS PN avançou 0,5% e PETROBRAS ON cresceu 1,2%. Petróleo fechou próximo da estabilidade.

- ASSAÍ ON ganhou 1,5%, após vendas mesmas lojas crescerem 6,7% no primeiro trimestre frente a um ano antes, excluindo efeito calendário. GPA ON mostrou decréscimo de 1,4%, após salto de 11,2% nas vendas comparáveis no mesmo período, mas liderado pelo desempenho da unidade Éxito, que opera em outros países da América Latina. CARREFOUR BRASIL ON perdeu 1,4%, após vendas mesmas lojas avançarem 8,5% em termos consolidados, incluindo postos de combustíveis e sem considerar efeitos de calendário.

- MAGAZINE LUIZA ON teve queda de 5,6%, VIA ON perdeu 4,1% e AMERICANAS ON marcou baixa de 2,8%.

- RUMO ON se valorizou 4,6%, ECORODOVIAS ON teve acréscimo de 2,3% e CCR ON subiu 0,6%.

- ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, desabou 12,7%, a maior queda da ação desde o IPO no ano passado. Analistas do JPMorgan rebaixaram a recomendação do papel de "overweight" para "neutra" e reduziram preço-alvo de 23 para 10 reais. O papel fechou em 8,36 reais.

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