Ibovespa fecha em alta com balanços robustos; Totvs salta 8%

Paula Arend Laier
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Corretora em São Paulo

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, embalado pelo noticiário corporativo, com Totvs disparando quase 8% após resultado trimestral sólido, enquanto Suzano atingiu cotação recorde após lucro de quase 6 bilhões de reais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,73%, a 119.299,83 pontos. O volume financeiro no pregão somou 28,8 bilhões de reais.

A alta vem após três quedas seguidas. Na semana, até o momento, o Ibovespa contabiliza perda de 0,78%.

Agentes financeiros também chamaram a atenção como elemento positivo para os negócios a aprovação pela Câmara dos Deputados de projeto que confere autonomia formal ao Banco Central, que agora espera sanção presidencial.

"É uma das mudanças institucionais mais importantes que o Brasil teve nos últimos tempos", afirmou o economista Bruno Musa, sócio da Acqua Investimentos.

Investidores continuam acompanhando a 'sintonia' entre o Congresso Nacional e o Planalto, para a aprovação de reformas, enquanto cresce a chance de nova rodada de auxílio emergencial em razão da pandemia de Covid-19.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o governo estuda renovar o auxílio por três ou quatro meses a partir de março, embora tenha voltado a defender a necessidade de se fazer isso com "responsabilidade fiscal".

Na visão do analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, a perspectiva de mais estimulos tirou a bolsa das máximas, e se a solução encontrada no final representar de alguma forma uma flexibilização do teto de gastos o nível de risco subirá.

Ele ponderou, contudo, que "se governo conseguir costurar com o Congresso o avanço da agenda de reformas ao longo do ano e firmar seu compromisso fiscal, o mercado deve receber bem melhor a notícia (sobre a retomada do auxílio emergencial)".

DESTAQUES

- TOTVS ON disparou 7,77%, após a companhia de sistemas e plataformas para gestão de empresas mostrar lucro líquido ajustado de 86,8milhões de reais no quarto trimestre. "Um trimestre sólido para fechar um ano desafiador, mas memorável", escreveu o BTG Pactual.

- SUZANO ON avançou 3,6%, para a máxima histórica de fechamento de 70,66 reais, após lucro líquido de 5,914 bilhões de reais no quarto trimestre. Executivos da companhia veem tendência de alta nos preços de celulose. "Superando consistentemente as expectativas por 4 trimestres consecutivos", afirmou o Credit Suisse.

- CSN ON recuou 3,98%, com a precificação do IPO de sua unidade de mineração na sexta-feira no horizonte. No setor, VALE ON caiu 1,69%, mas USIMINAS PNA, que divulga balanço na sexta-feira, antes da abertura da bolsa, subiu 2,39%.

- RUMO ON cedeu 1,59%, antes da divulgação do balanço do quarto trimestre, aguardado para após o fechamento da bolsa. A ação caiu em cinco das últimas seis sessões.

- COSAN ON subiu 2,92%, com balanço previsto para após o fechamento e resultados forte da Comgás. Na véspera, a International Meal Company (IMC) anunciou parceria com a Raízen (joint venture da Cosan com a Shell)para possível instalação de restaurantes em postos.

- BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 2,62%, após duas sessões de queda, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa. ITAÚ UNIBANCO PN fechou estável e BRADESCO PN subiu 0,12%. BANCO DO BRASIL ON, que divulga balanço após o fechamento, teve acréscimo de 0,38%.

- PETROBRAS PN subiu 1,01%, mantendo a recuperação da véspera, apesar do declínio dos preços do petróleo no mercado externo. No começo da semana, os papéis da petrolífera de controla estatal sofreram com ruídos envolvendo os preços de combustíveis no país. No setor, PETRORIO ON caiu 2,64%.

- WESTWING ON caiu 8,46% e fechou a 11,90 reais, em estreia no segmento Novo Mercado da B3, após a plataforma de comércio eletrônico precificar IPO a 13 reais por papel, em operação que movimentou 1,16 bilhões de reais. No pior momento da sessão, o papel chegou a 11,50 reais.

- CRUZEIRO DO SUL ON recuou 7,29%, encerrando seu debut na B3 a 12,98 reais. O grupo privado de ensino superior precificou sua oferta inicial de ações (IPO) a 14 reais, abaixo do piso da faixa indicativa, que era 16,40 a 19,60 por ação. Na mínima do dia, bateu 12,75 reais.

(Edição de Aluísio Alves)