Ibovespa fecha na máxima desde recorde de janeiro

Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, voltando a se aproximar de sua marca histórica, após o presidente do Estados Unidos sancionar novos estímulos econômicos e reforçar o ambiente global de apetite a risco.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,12%, a 119.123,70 pontos, maior patamar de fechamento desde 23 de janeiro, quando registrou sua máxima histórica de 119.527,63 pontos, considerando o fechamento. O recorde intradia (119.593,10 pontos) foi batido no dia seguinte.

O volume financeiro nesta segunda-feira somou 21,6 bilhões de reais, abaixo da média diária de 34,8 bilhões de reais em dezembro. No ano, essa média é de 29,9 bilhões de reais.

Donald Trump sancionou no domingo um pacote de ajuda pela pandemia e de gastos no valor total de 2,3 trilhões de dólares, restaurando o auxílio-desemprego a milhões de norte-americanos e evitando a paralisação do governo federal.

Entre os estímulos, está o pacote de alívio de 900 bilhões de dólares aprovado pelo Congresso na última semana, que Trump ameaçou bloquear.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,87%, a 3.735,36 pontos, nova máxima histórica, com o Dow Jones e o Nasdaq também renovando recordes.

O Reino Unido ter chegado a um acordo comercial do Brexit com a União Europeia na última quinta-feira, quando a bolsa brasileira esteve fechada, também repercutiu bem, assim como o processo de vacinação estar ganhando escala ao redor do mundo.

Na visão do sócio da Manchester Investimentos, Eduardo Cubas Pereira, as sinalizações positivas com a assinatura do pacote de estímulos por Trump e o alívio com o desfecho na novela entre Reino Unido e UE deram suporte à bolsa doméstica.

Ele ponderou, contudo, que a liquidez está menor, o que não permite determinar se tal movimento representa uma tendência. Isso, segundo ele, só será possível de se atestar depois que a liquidez melhorar nas próximas semanas.

Com os feriados de final de ano, a semana passada e esta na bolsa paulista têm apenas três pregões cada.

Para o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, no curto prazo os ativos brasileiros serão ajudados pelo fluxo global para ativos ciclícos, que se beneficiam da recuperação mundial, como as commodities.

Em dezembro, o saldo de capital externo no mercado secundário de ações brasileiro está positivo em 16,5 bilhões de reais até dia 22, caminhando para o terceiro mês seguido em que as compras por estrangeiros superaram as vendas.

"Contudo, sem um processo de vacinação em massa, corremos o risco de 'ficarmos para trás' no processo de recuperação e pagarmos um preço elevado em momentos de menor liquidez global", afirmou Kawa, em comentários a clientes.

Nesse contexto, a Fundação Oswaldo Cruz informou que pedirá registro da vacina de Oxford/AstraZeneca à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 15 de janeiro.

DESTAQUES

- IRB BRASIL RE ON disparou 12,02%, após dados mostrarem prejuízo de 23,8 milhões de reais em outubro, mas lucro líquido 110,3 milhões se excluídos efeitos não recorrentes. No ano, porém, a ação ainda acumula queda de 77%, pior desempenho do Ibovespa em 2020.

- BRADESCO PN avançou 0,97%, após anúncio de programa de recompra de ações e decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de flexibilizar as regras sobre distribuição dos resultados de 2020 de instituições financeiras. ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,72%.

- CIELO ON saltou 7,93%, tendo no radar novos ruídos envolvendo uma eventual venda da participação na empresa de meios de pagamentos por um de seus controladores, no caso o Banco do Brasil segundo o blog de Lauro Jardim, de O Globo.

- PETROBRAS PN valorizou-se 0,82%, mesmo com o enfraquecimento dos preços do petróleo no exterior, com o Brent em baixa de 0,84%. A companhia elevará em 4% o preço médio do diesel em suas refinarias e em 5% o da gasolina a partir de terça-feira.

- VALE ON teve variação negativa de 0,06%, com o setor de mineração e siderurgia piorando durante o pregão, com destaque para USIMINAS PNA, que encerrou em baixa de 1,09%. Mas CSN ON fechou em alta de 0,58%.

- QUALICORP ON caiu 1,59%, após três altas seguidas, período em que subiu 3,7%. Mais cedo, a companhia disse que seu conselho de administração aprovou pagamento de juros sobre capital próprio no valor total de 33,95 milhões de reais, com pagamento previsto para 13 de janeiro.

- ALIBABA BDR desabou 13,96%, contaminado pelo declínio dos papéis da gigante de ecommerce chinesa no exterior em meio a uma investigação antitruste por reguladores chineses. Em Hong Kong, os papéis caíram 9%, mesmo após anúncio de recompra de ações no valor de 10 bilhões de dólares.