Ibovespa reduz alta para 0,35% com forte queda de ações em Wall Street

·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* Gráficos na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
*ARQUIVO* Gráficos na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira conseguiu fechar em alta nesta segunda-feira (19), apesar da forte pressão do exterior.

Em Wall Street, S&P 500 caiu 1,63%, Dow Jones teve queda de 1,44% e Nasdaq, de 1,65%, com investidores preocupados com o prazo apertado para um acordo entre republicanos e democratas em torno de um novo pacote de estímulo econômico.

No domingo, a presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que, para a aprovação de um texto antes das eleições presidenciais, em 3 de novembro, seria preciso um acordo até esta terça (20). A democrata e o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, seguem em negociação para aprovar a nova ajuda fiscal.

O Ibovespa, porém, refletiu dados chineses melhores que o esperado em setembro, e encerrou em alta de 0,35%, a 98.657 pontos. Durante o pregão, chegou a subir 1,6%, se aproximando dos 100 mil pontos.

O dólar cedeu 0,63%, a R$ 5,6090. O turismo está a R$ 5,753.

A valorização do real frente à moeda americana foi impulsionada pela fraqueza internacional do dólar e pela defesa do teto de gastos pelo governo brasileiro.

Em discussão sobre medidas para estimular a economia após o tombo causado pela Covid-19, o ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu a manutenção do teto.

Apesar de divergências internas no governo sobre essa norma, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o ministro, também quer a sustentação do teto de gastos. "O presidente está claramente do nosso lado", afirmou Guedes em evento nesta segunda.

Diante da pressão no Orçamento, que tem cerca de 95% de gastos obrigatórios, o ministro disse que tentará aprovar no Congresso medidas para reduzir essas despesas fixas, abrindo margem para outras. Por isso, ele voltou a falar da necessidade de desindexar o Orçamento e, a partir de 2021, retomar a agenda de controle fiscal, já que, por causa da pandemia, foram autorizados gastos extraordinários em 2020.

De acordo com o ministro, o abandono do teto de gastos só deveria ser discutido após a aprovação de medidas como a desindexação e desvinculação do Orçamento.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a possibilidade de extensão do estado de calamidade pública "não existe".

O presidente Bolsonaro, por sua vez, disse a eleitores que não é possível manter por muito mais tempo a ajuda e que é preciso ter responsabilidade.

"Sei que os R$ 600 [que atualmente é de R$ 300] é pouco para quem recebe, mas é muito para o Brasil, dá R$ 50 bilhões por mês. Tem que ter responsabilidade para usar a caneta Bic aí. Não dá para viver, ficar muito tempo mais com este auxílio porque, realmente, o endividamento nosso é monstruoso", disse a apoiadores que o aguardavam na entrada do Palácio da Alvorada nesta segunda.

A empresa do Ibovespa que mais se valorizou na sessão foi a Cielo, com alta de 6,74%, encerrando uma sequência de cinco pregões no vermelho, período em que acumulou queda de mais de 6% e atingiu o menor preço desde maio.