Ibovespa repete abril e é investimento com maior rentabilidade em maio

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***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa -principal índice acionário do Brasil- repetiu o feito de abril e foi a aplicação que mais rendeu em maio dentre os principais investimentos dos brasileiros, com alta de 6,16% no mês encerrado nesta segunda-feira (31). Este é o melhor resultado mensal do ano, a frente de março (6%).

No pregão, o Ibovespa teve leve alta de 0,52% e renovou seu recorde nominal (sem contar a inflação), aos 126.215,73 pontos.

Com a alta no mês, o índice acumula ganhos de 6% no ano.

O Ibovespa foi o único a ter uma rentabilidade acima do IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) em maio, segundo cálculos do buscador de investimentos Yubb.

Conhecido como inflação do aluguel, o IGP-M subiu 4,10% neste mês, acumulando alta de 37,04% no período de 12 meses, segundo dados da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O produto com o segundo melhor desempenho no período foi o ouro, que acumulou alta de 3,44% em maio.

Se considerado o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), o metal também tem um desempenho acima da alta dos preços, assim como o Tesouro IGP-M com juros e a poupança velha (depósitos antes de maio de 2012), que tiveram ganhos de 2,54% e 0,5%, respectivamente. O índice, tido como prévia da inflação, subiu 0,44% em maio.

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, que reúne estimativas do mercado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação, de maio esperado é de 0,68%, o que deixaria a poupança velha com rendimento real negativo.

De acordo com o levantamento do Yubb, o bitcoin teve a maior perda no mês, com queda de 35,42%, a US$ 36.690,89 (R$ 191.636,52). A criptomoeda foi impactada pela resolução da Tesla de não aceitá-la mais como forma de pagamento, dado o seu grande gasto energético.

Olhando para as companhias do Ibovespa, as altas em maio foram lideradas pela empresa de geração de energia Eneva (25,84%), a companhia de alimentos BRF (23,91%), e a empresa de meios de pagamentos Cielo (23,15%).

A produtora de papel e celulose Suzano (-11,56%), o Banco Inter, (-11,53%), e a siderúrgica Usiminas (-11,51%) responderam pelas maiores perdas.

No mês, o dólar caiu 3,79%. No ano, há leve alta de 0,65%.

Nesta segunda, a moeda americana subiu 0,19%, para R$ 5,2230. O turismo está a R$ 5,3900.

ESTRANGEIRO ACELERA INVESTIMENTOS EM AÇÕES BRASILEIRAS

A alta da Bolsa brasileira em maio foi impulsionada pela alta das commodities, fruto da recuperação econômica de Estados Unidos e China, e pela entrada de investimento estrangeiro.

De acordo com o estrategista-chefe do Itaú BBA, Marcelo Sa, a melhora do ritmo de vacinação no mundo gerou uma reabertura mais rápida em alguns países, que estão voltando à vida normal.

"O mercado começa a ver quando o Brasil vai chegar nessa fase e acaba se antecipando", afirmou, chamando a atenção para a quantidade de doses de vacinas aguardada para a segunda metade do ano no Brasil, que deve ser um catalisador para a Bolsa.

Até a última sexta (28), há um saldo positivo de R$ 10,8 bilhões de estrangeiros na Bolsa brasileira, o melhor mês desde janeiro, quando vieram R$ 23,6 bilhões. No ano, há uma entrada líquida de R$ 30 bilhões. Contando IPOs (ofertas iniciais de ações) e follow-ons (ofertas subsequentes de ações), o saldo é de R$ 33,8 bilhões, recorde nominal (sem contar a inflação) anual da série histórica da B3, com início em 1994.

Além disso, a sinalização de reformas e privatizações e resultados melhores que o esperado das empresas também contribuíram para o desempenho positivo do Ibovespa no período.

Sa avalia que houve uma melhora na coordenação política entre o governo e o Congresso, ilustrada pela aprovação da medida provisória de privatização da Eletrobras na Câmara dos Deputados.

"Eletrobras foi um ponto importante para dizer que existe predisposição do Congresso de aprovar algumas pautas. Não sei se vai aprovar tudo o que o governo quer, mas tem algumas pautas que podem sair", afirmou.

Além disso, corrobora a trajetória benigna a percepção de um efeito negativo menor na economia brasileira da pandemia de Covid-19, apesar do alto patamar no número de casos e mortes.

Segundo cálculos do Banco Inter até a última sexta, o setor que mais se valorizou na Bolsa no mês foi o de empresas ligadas a commodities (18,60%), seguido das de shoppings e propriedades (13,20%), de saúde (8,80%) e do setor financeiro (2,80%).

As maiores quedas foram de construção civil (-15,10%) e seguros (-20,40%).

Em relatório, o banco projeta o Ibovespa a 142 mil pontos no final deste ano.

"No curto prazo, vemos o setor de bancos em momento de reversão de tendência e iniciando recuperação, beneficiado pelo aumento das taxas de juros e reversão de PDD [Provisão de Devedores Duvidosos]", diz o Inter.

O Inter também vê o setor de saúde com otimismo. "As empresas devem seguir se beneficiando do cenário mais favorável de exames e volta dos procedimentos eletivos".

Segundo Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, também favoreceram o Ibovespa as perspectivas mais positivas para a economia brasileira e revisões para baixo do nível de endividamento do país.

Em abril, a dívida bruta do governo caiu pelo segundo mês consecutivo e foi a 86,7% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo dados do Banco Central.

"O posicionamento dos BCs ao redor do mundo de que os estímulos devem continuar ajuda a manter os níveis recordes das Bolsas. Acreditamos que o discurso deve permanecer nesse sentido por ora, dado que choques inflacionários temporários já estão nos modelos", diz Paula.

O Fed (banco central dos EUA) respaldou por ora o ambiente elevado de liquidez global, com autoridades americanas reiterando a necessidade de estímulos, apesar de alguns membros já sinalizarem algum desconforto com a inflação e a necessidade de revisão da política monetária.

No Brasil, o BC subiu o juro para 3,5% beneficiando o real ante do dólar.

Nesta sessão, o Ibovespa foi puxado pela alta de 2,85% da Vale, impulsionada pela recuperação dos preços do minério de ferro na China.

Os contratos futuros negociados na Bolsa de Dalian com entrega em setembro subiram 5,3%, após a forte queda recente. Investidores repercutem a possibilidade de que o governo chinês reduza as restrições à produção de aço em Tangshan, na província chinesa de Hebei, que responde por um quarto da produção de aço no país.

Nos EUA, o mercado permaneceu fechado devido ao feriado do Memorial Day.

A maior alta do Ibovespa na sessão foi da Cosan, que saltou 6,61%, após acordo com investidores que se comprometeram a investir R$ 810 milhões na sua subsidiária Compass, em troca de participação de 4,68% na unidade de gás natural e energia do grupo.

A segunda maior valorização foi da Eneva, que avançou 4,59%, com o agravamento da situação hidrológica no Brasil em meio a uma seca histórica na região das hidrelétricas, que tem levado ao acionamento de usinas térmicas para evitar racionamento de energia.

Em sua estreia na B3, a Dotz chegou a disparar 13,64%, mas fechou estável. A administradora de programa de fidelidade levantou R$ 390,72 milhões no IPO.

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