Ibovespa sobe 6% em março, primeira alta mensal em 2021, com vacinação no radar

Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa acumulou em março alta de 6%, o primeiro desempenho mensal positivo do ano, com empresas que tendem a se beneficiar da reabertura da economia, como shopping centers, entre os maiores ganhos, apesar de o país viver o pior momento da pandemia da Covid-19.

Em meio a recordes diários de mortos, o Brasil já conta 317.646 óbitos pelo coronavírus no país desde o começo da pandemia, com 12.658.109 casos confirmados, segundo dados de terça-feira do Ministério da Saúde. É o segundo país do mundo com mais casos e mortes por Covid, atrás apenas dos EUA.

Mas entre agentes financeiros cresce a percepção de que o ritmo de vacinação tende a ganhar tração, com novos contratos assinados entre o governo brasileiro e laboratórios, além de um tom um pouco mais pró-vacina de autoridades em Brasília.

Nas primeiras declarações após assumir o Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga prometeu mais do que triplicar o ritmo de vacinação em breve, para mais de 1 milhão de doses por dia.

De acordo com dados do ministério, 14.322.996 pessoas já receberam a primeira dose da vacina, enquanto 4.150.441 já tomaram a segunda dose. A população apta a receber a vacina é de 170 milhões de pessoas no Brasil.

Na visão da líder de alocação na BlueTrade, Marina Braga, a confiança na vacina não é mais uma preocupação, uma vez que já foi desenvolvida, e já se observa evolução nos países com ritmo de imunização mais acelerado, como Israel e Estados Unidos.

"No Brasil, é uma questão de tempo isso acontecer", afirmou.

A Anvisa aprovou nesta quarta-feira uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, ampliando o número de imunizantes contra o coronavírus disponível no país, que já liberou os da Sinovac, AstraZeneca e da Pfizer.

Braga frisou, contudo, várias frentes ainda bastante complicadas no cenário domestico, como reformas atrasadas, riscos ligados ao teto de gastos em um ambiente fiscal deteriorado, incertezas políticas, entre outros.

Para ela, a elevação da taxa básica de juros pelo Banco Central para 2,75% ao ano, em ritmo mais forte do que o esperado, com a sinalização de que deve manter a magnitude do aperto na próxima reunião em maio, foi mais um componente positivo, mostrando que o BC está atento à inflação.

Ainda assim, foram necessárias declarações do presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, sinalizando que o BC não necessariamente acelerará o ritmo de aperto nas próximas reuniões, tampouco sacrificará a economia, para amenizar receios que fizeram a curva de juros aumentar a sua inclinação.

A melhor performance do Ibovespa para um mês de março desde 2016 também encontrou respaldo nos balanços do último trimestre de 2020. A XP Investimentos destacou que a maioria dos resultados de empresas sob sua cobertura superou expectativas, dando continuidade à recuperação iniciado no terceiro trimestre.

Os recordes do S&P 500 e do Dow Jones em Wall Street também contribuíram, em meio à aprovação de um pacote de 1,9 trilhão de dólares em estímulos nos EUA e perspectiva de um plano de infraestrutura de cerca de 2 trilhões de dólares.

Nesta quarta-feira, o Ibovespa caiu 0,18%, a 116.633,72 pontos, com bancos entre as maiores pressões negativas, enquanto Equatorial disparou mais de 8% após vencer leilão da gaúcha CEEE-D. Com a alta de 6% em março, a perda no ano foi reduzida para 2%.

O volume financeiro na sessão somou 32 bilhões de reais.

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(Com reportagem adicional de Eduardo Simões)