Ibovespa tem alta discreta entre ata do Fed e queda de braço de Petrobras e Vale

B3

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou com um acréscimo discreto nesta quarta-feira, após superar os 114 mil pontos pela primeira vez desde abril no melhor momento do dia, em mais uma sessão sem tendência definida, marcada pela ata do Fed e queda de braço entre as ações da Vale e da Petrobras.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,17%, a 113.707,76 pontos. No melhor momento, chegou a 114.146,23 pontos. No pior, a 112.482,58 pontos. Companhias de energia elétrica figuraram entre as maiores altas. Papéis de varejo, entre as maiores baixas.

O volume financeiro somou 59,8 bilhões de reais, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

"Temos percebido uma volatilidade não muito grande no Ibovespa, mas dentro da bolsa estamos vendo bastante movimentação", observou Luiz Adriano Martinez, gestor de portfólio da Kilima Asset, destacando nesta sessão o movimento de empresas de serviços de utilidade pública como exemplo.

"Isso tem a ver com a alocação dos investidores estrangeiros", avalia. "O movimento de alta (da bolsa) no Brasil ocorreu depois de ficar claro que o ciclo monetário chegou ao fim ou até deve ter algum ajuste na próxima reunião", acrescentou.

Depois que isso aconteceu, Martinez disse que notou uma alocação grande nos setores da bolsa brasileira que estavam baratos que não tinham reagido ainda, que são os setores mais sensíveis a juros, como de consumo discricionário.

Dados da B3 sobre agosto mostram saldo positivo de quase 11 bilhões de reais na movimentação de capital externo no mercado secundário de ações.

O Ibovespa atingiu a máxima da sessão nesta quarta-feira na sequência da divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, no mês passado, quando o juro dos EUA foi elevado em 0,75 ponto percentual, para a faixa de 2,25% a 2,50%.

No documento, autoridades do Fed disseram que o ritmo de aumentos da taxa de juros dependerá de dados, com alguns afirmando que os juros precisarão permanecer em um "nível suficientemente restritivo" por "algum tempo" para controlar a inflação.

Em Wall Street, o S&P 500 encerrou em baixa de 0,72%, também na sequência de alguma volatilidade depois que investidores avaliaram que a ata da reunião do Fed em julho sugeriu que os formuladores de política monetária podem ser menos agressivos do que se pensava anteriormente quando aumentarem a taxa de juros em setembro.

No caso do Ibovespa, análise gráfica do Safra diz que o principal índice da bolsa paulista segue em tendência de alta no curto prazo e encontra suporte na faixa de 112.300 pontos. "Do lado da alta, o índice encontra resistência em 115.300. Acima desta, poderá alcançar sua próxima resistência em 121.500", afirmou em nota a clientes.

DESTAQUES

- VALE ON caiu 2,46%, a 68,23 reais, após nova queda dos contratos futuros de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Cingapura, para perto de 100 dólares a tonelada. Além disso, o Itaú BBA cortou a recomendação dos ADRs da mineradora para "market perform", com preço-alvo de 15 dólares. No setor, porém, CSN MINERAÇÃO ON subiu 4,42%, a 4,02 reais.

- PETROBRAS PN subiu 2,34%, a 32,76 reais, e PETROBRAS ON fechou em alta de 3,33%, a 36,33 reais, renovando máximas históricas, favorecidas pela alta dos preços do petróleo. A companhia começou duas paradas simultâneas para manutenção na refinaria de Paulínia (Replan) e também disse que a CVM negou pedido de associação para suspender assembleia de acionistas.

- CIELO ON subiu 3,83%, a 5,42 reais. Na noite da véspera, analistas do Citi elevaram suas previsões para o lucro líquido recorrente da empresa de meios pagamentos em 2022 e 2023 para 1,3 bilhão e 1,5 bilhão de reais, respectivamente, de 1 bilhão e 1,2 bilhão anteriormente, bem como subiram o preço-alvo de 4 para 5,4 reais para a ação. A recomendação "neutra", porém, foi mantida.

- CEMIG PN avançou 5,67%, a 13,05 reais, máxima histórica para fechamento, em sessão positiva para ações de empresas de energia elétrica e de utilidade pública, com os respectivos índices setoriais avançando 1,56% e 2,29%, respectivamente.

- ITAÚ UNIBANCO PN fechou com acréscimo de 0,4%, a 27,35 reais, e BRADESCO PN avançou 0,15%, a 19,74 reais.

- MAGAZINE LUIZA ON caiu 3,13%, a 4,02 reais, em dia de realização de lucros entre papéis do e-commerce. No mês, porém, ainda acumula alta de 55,8%. VIA ON recuou 6,08% e AMERICANAS ON cedeu 6,13%. Em agosto, ainda sobem 41,7% e 1,7%, respectivamente.

- CCR ON perdeu 0,35%, a 14,25 reais, após Marco Cauduro renunciar ao comando da empresa de concessões. Analistas do Bradesco BBI disseram que a mudança não era esperada, mas que não deve interferir na análise de novos projetos pelos companhia. A CCR também decidiu ficar de fora da sétima rodada de leilões de aeroportos, marcada para a quinta-feira.