Ibovespa tem alta e dólar cai, com projeções do BC e dados de emprego no foco

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RIO — A Bolsa sobe e o dólar é negociado em baixa ante o real no início desta quinta-feira. O mercado repercute as projeções do Banco Central (BC) contidas no relatório trimestral de inflação da autoridade, além de novos dados sobre o mercado de trabalho no país.

Por volta de 12h25, o índice Ibovespa subia 1,03%, aos 112.252 pontos. No mesmo horário, a moeda americana tinha queda de 0,06%, negociada a R$ 5,4264.

No cenário externo, o dia conta com novas falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e da secretaria do Tesouro americano, Janet Yellen, no Congresso americano.

Petrobras opera próximo da estabilidade

As ações da Petrobras apresentavam leves altas no início desta quinta-feira após a empresa anunciar na noite de quarta-feira que irá destinar R$ 300 milhões para a criação de um programa social para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social a acessar insumos como o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha.

As ações ordinárias (PETR3, com direito a voto) subiam 0,04% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 0,11%, após apresentarem baixas.

O programa terá duração de 15 meses, informou a Petrobras, o que incluirá o período da campanha para as eleições de outubro de 2022, quando Bolsonaro pretende concorrer à reeleição.

A iniciativa, que foi apresentada como uma ação de responsabilidade social, pode reacender no mercado os receios de intervenção política na empresa, o que já havia acontecido no início do ano quando o próprio Silva e Luna foi indicado ao cargo.

A decisão foi anunciada apenas dias depois de o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, ter afirmado que não haveria qualquer mudança na política de preços da estatal e que não caberia à empresa ações para subsidiar o preço do botijão de gás, um dos itens que mais pressionam os gastos das famílias de baixa renda.

Ele havia reagido a um discurso do presidente Jair Bolsonaro, que atribuiu a alta do preço dos combustíveis e seu impacto na inflação à política de preços praticada pela Petrobras, atrelada ao câmbio e ao preço internacional do petróleo.

E não foi só Bolsonaro. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, já haviam criticado a empresa.

O analista de investimento da Mirae Asset, Pedro Galdi, não enxerga o anúncio como uma ingerência pelo governo, apesar de ressaltar que existe uma pressão política sobre a alta dos preços dos combustíveis.

Ele destaca que uma eventual interferência seria negativa para a companhia.

— A Petrobras não é uma empresa sem fins lucrativos e optar por ingerência já foi visto no passado e deu no que deu. Se ela não tivesse sido usada politicamente hoje seria uma das maiores empresas do setor no mundo.

O analista destaca que as perspectivas para o preço do petróleo no exterior são positivas, devido ao aumento da demanda proporcionado pela recuperação das economias.

Isso, em tese, poderia ajudar nos resultados da Petrobras, sendo refletido nas ações. Mas a proximidade com o ano eleitoral pode ser um fator que afaste os investidores dos papéis.

— Por fundamentos, vejo a ação atrativa para que têm perfil de médio e longo prazo. Já para quem gosta de operar no curto prazo deve ficar atento. Eu não acredito que o governo irá mudar a política de preços da empresa, mas sim encontrar alguma solução de uso de recursos de alguns dos vários fundos que existem dentro do setor. Mas no curto prazo o preço da ação pode sofrer volatilidade sim.

Para o analista da Guide Investimentos, Luís Sales, e preciso de mais informações sobre o programa para que sejam medidos os eventuais efeitos.

"A estatal afirmou em comunicado ao mercado que detalhes do programa ainda estão sob estudo, incluindo a definição do critério de escolha das famílias que serão beneficiadas e uma busca por possíveis parceiros. [...] É necessário que os detalhes do plano sejam detalhados para se mensurar mais precisamente os possíveis impactos para a companhia", escreveu em relatório.

BC no foco

Os investidores também repercutem o relatório trimestral de inflação do BC. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021 subiu de 4,6% para 4,7%. Em 2022, a expectativa de crescimento é de 2,1%, bem acima das expectativas do mercado.

Já as expectativas de inflação, como mostrou a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foram revisadas para cima. Com alta nos preços de energia, combustíveis e a volta do setor de serviços, o BC projetou uma inflação em 3,7% no próximo ano, acima do centro da meta de 3,5%.

Houve revisão também para a inflação deste ano. Em agosto, a expectativa era que a inflação chegasse a 6,5% no final do ano. Agora, a previsão é de 8,5%, com pico de 10,2% no terceiro trimestre.

O número é bem superior ao teto da meta do governo, que é de 5,25%, que, segundo a autoridade, será estourado.

As previsões são importantes, pois impactam nas decisões sobre o aumento dos juros básicos tomadas pelo banco. Com isso, servem como sinalização ao mercado sobre como a autoridade monetária está avaliando o atual cenário macroeconômico.

Dados de emprego positivos

Segundo o IBGE, pela primeira vez desde o início da pandemia, mais de 50% das pessoas com idade para trabalhar estão ocupadas.

A melhora, ainda que lenta, no mercado de trabalho também é percebida na taxa de desemprego, que saiu de 14,7% registrados no trimestre encerrado em abril, que servem de base de comparação, para 13,7% no trimestre encerrado em julho

Vale sobe

Em dia positivo para o minério de ferro no exterior, as ações ordinárias da Vale (VALE3) subiam 2,53% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 4,77%.

As preferenciais da Usiminas (USIM5) tinham alta de 4,14%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itau (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) subiam 0,21% e 0,34%, respectivamente.

Entre as maiores altas, destaque para os papéis ON da PetroRio (PRIO3), que subiam 9,15%, com a possibilidade de compra pela empresa do o campo de Albacora, na Bacia de Campos.

Bolsas no exterior

As bolsas americanas operavam mistas. Por volta de 12h30, no horário de Brasília, o indice Dow Jones cedia 0,31% e o S&P, 0,02%. Em Nasdaq, havia alta de 0,52%.

No país, foi divulgada a revisão final do PIB do segundo trimestre. A economia americana cresceu 6,7% na taxa anualizada, forma como o país divulga seus números para o PIB.

O valor é levemente superior aos 6,6% divulgado na estimativa anterior.

Além disso, o dia contou com a divulgação de novos dados do mercado de trabalho. Os novos pedidos de seguro-desemprego somaram 362 mil na semana encerrada em 25 de setembro, aumento de 11 mil do nível não revisado da semana anterior, que foi de 351 mil.

Na Europa, as bolsas operavam no negativo. Por volta de 10h50, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres cedia 0,01%. Em Frankfurt e Paris, ocorriam quedas de 0,39% e 0,27%, respectivamente.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, teve queda de 0,31%. Na China, houve alta de 0,90%.

Em Hong Kong, houve baixa de 0,36%, com as ações da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande voltando a pressionar os negócios. Os papéis caíram 3,91%, com os investidores preocupados com o pagamento de outro título de dívida em moeda estrangeira que venceu esta semana.

Segundo a agência de notícias Reuters, a empresa deixou de pagar juros de títulos que venciam nesta quarta, embora tenha realizado pagamentos parciais a investidores locais.

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