Ida para a reserva e reconvocação à CPI: Quais as consequências da ida de Pazuello a ato pró-Bolsonaro

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - MAY 23: President of Brazil Jair Bolsonaro and former Health Minister Eduardo Pazuello meets supporters at the Monument to the Dead of the Second World War during a motorcycle rally on May 23, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Wagner Meier/Getty Images)
No último domingo (23), Pazuello participou de atoa favor do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro (Foto: Wagner Meier/Getty Images)
  • Pazuello participou de ato a favor do presidente Jair Bolsonaro no último domingo

  • Atitude vai contra regras do Exército e instituição pretende punir Pazuello

  • Ex-ministro da Saúde também deve ser reconvocado à CPI da Covid. Membros da comissão veem afronta

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde e general da ativa, deve ser punido pelo Exército após participar de um ato político em favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No último domingo (23), o ex-ministro subiu em um carro de som no Rio de Janeiro – e estava sem máscara.

Segundo a revista Época, assim que desceu no palanque, Pazuello entrou em contato com colegas de Exército e até com superiores na instituição para pedir desculpas. Isso porque há uma regra no Regulamento do Exército proibindo que militares da ativa participem de manifestações políticas sem autorização dos superiores.

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De acordo com fontes ouvidas pela revista, colegas de Pazuello expressaram o descontentamento com a participação dele no ato de apoio a Bolsonaro. O ex-ministro da Saúde estava em Brasília e foi ao Rio de Janeiro com o presidente, em um avião da Força Aérea.

A “carona” foi considerada um erro, mas poderia ter passado incólume, se Pazuello não tivesse subido no palanque instalado no Monumento das Pracinhas, no Aterro do Flamengo – sem máscara. O ex-ministro da Saúde e general falou pouco, mas a presença dele foi muito comentada.

Logo após o ato, Pazuello mandou mensagem ao comandante do Exército reconhecendo o erro, segundo revelou a revista Época. A justificativa do general é que ele foi “empurrado” para ficar ao lado do presidente. Sobre a máscara, Pazuello disse que usava o item de proteção o tempo todo, até subir no caminhão.

A impressão de militares é que a atitude de Eduardo Pazuello atingiu diretamente a imagem das Forças Armadas, ainda mais após dois dias de depoimento na CPI da Covid no Senado. O ex-ministro da Saúde ainda deve ser reconvocado para ir à Comissão, por ter mentido em depoimento.

Ida para a reserva

Pazuello deve ser advertido pelo Exército após a participação no ato. Além disso, ele pode ser pressionado para pedir transferência para a reserva, ou seja, se aposentar.

Ele tem direito a ficar pelo menos mais um ano na ativa, mas membros do Exército já pressionam pela ida para a reserva desde que Eduardo Pazuello aceitou o convida para integrar o governo Bolsonaro.

De acordo com pessoas próximas ao general, ele não está disposto a deixar o cargo na ativa agora, especialmente por estar sendo obrigado a participar da CPI da Covid. Uma alternativa seria que Pazuello deixasse o cargo após as investigações.

Repercussão entre membros da CPI

Former Brazil's Health Minister Eduardo Pazuello, Brazilian Senator Renan Calheiros and Brazilian Senator Omar attend a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 19, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Depois de depor à CPI da Covid por dois dias, Eduardo Pazuello deve ser reconvocado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Membros da CPI da Covid criticaram a presença de Pazuello no ato bolsonarista. Os membros da oposição consideraram que o ex-ministro afrontou diretamente a comissão e mentiu.

No depoimento, Eduardo Pazuello se disse favorável ao isolamento social e pediu desculpas por não usar máscara em um shopping em Manaus. Na ocasião, o ex-ministro foi flagrado sem máscara e, ao ser questionado, disse que estava procurando onde comprar uma.

Omas Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, relacionou a participação no ato no Rio de Janeiro com o ocorrido na capital amazonense. Ao jornal O Globo, Aziz disse que não parecia “que o presidente estava vendendo máscaras”.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), chamou Pazuello de mentiroso. “Ministro vai ao Maranhão levar testes de Covid enquanto o presidente, que já tinha aglomerado maranhenses, espalha vírus no Rio com Pazuello, um mentiroso assumido. Pessoas morrem e o governo se comporta como o cavalo do bêbado, que marcha para todo lado ao mesmo tempo”, escreveu nas redes sociais.

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O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), considerou a atitude um “autoindício”. “O ato de hoje é um achincalhe às quase 450 mil vítimas e um desrespeito ao regulamento interno das Forças Armadas. Nossa disposição é pedir a reconvocação do senhor Eduardo Pazuello e do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga”, disse à CNN Brasil.

Outros senadores oposicionistas também criticaram a atitude de Pazuello, como Otto Alencar (PSD-BA) e Rogério Carvalho (PT-SE).

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