Ideólogo russo Duguin reitera apoio a Putin após retirada de Kherson

O ideólogo ultranacionalista russo Alexander Dugin, considerado um dos mais fervorosos apoiadores da ofensiva na Ucrânia, disse que se mantém leal ao presidente Vladimir Putin, apesar da derrota de Moscou na cidade ucraniana de Kherson.

"O Ocidente (...) começou a espalhar uma falsa notícia de que eu e os patriotas russos estávamos nos afastando de Putin após a rendição de Kherson e, supostamente, exigindo sua saída", afirmou Dugin, no Telegram, na noite de sábado (12).

"Sofrer a perda de Kherson é uma coisa. Mas nossa relação com o comandante em chefe é outra. Somos leais a Putin e apoiaremos a operação militar (na Ucrânia) e a Rússia até o fim", acrescentou.

Na sexta-feira, porém, o ideólogo havia publicado uma mensagem diferente, na qual parecia criticar o Kremlin após a perda de Kherson. Nela, afirmava que o poder russo "não pode ceder mais nada" e que "se chegou ao limite".

Depois dessas declarações, o "think tank" americano Institute for the Study of War (ISW) estimou que a retirada provocou "uma fratura ideológica entre personalidades pró-guerra e Vladimir Putin".

Dugin, um intelectual e escritor ultranacionalista de 60 anos, é um teórico do neoeurasianismo, uma aliança entre Europa e Ásia liderada pela Rússia.

Às vezes chamado de "cérebro de Putin", ou "Rasputin de Putin", é uma figura que há anos defende a unificação dos territórios de língua russa e apoiou totalmente a operação militar lançada por Moscou na Ucrânia em fevereiro deste ano.

No final de agosto, sua filha, Daria Duguina, morreu em um atentado a bomba perto de Moscou, um ataque que Moscou atribuiu aos serviços ucranianos.

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