Ideia de censurar Trump decola diante de uma condenação improvável

Michael Mathes
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Donald Trump parece ter cada vez mais chances de ser absolvido pelo Senado depois que quase todos os senadores de seu partido expressaram oposição ao impeachment do ex-presidente dos Estados Unidos, o que alimenta, em vez disso, planos para uma moção de censura.

Republicanos e democratas avaliavam nesta quarta-feira (27) uma resolução de censura, um dia após uma moção para considerar o impeachment de um ex-presidente inconstitucional ter sido apoiada por 45 dos 50 senadores republicanos.

A moção não foi aprovada e o julgamento começará em 9 de fevereiro, mas ficou claro que a tarefa de somar 17 votos republicanos para alcançar os dois terços necessários para uma condenação é quase impossível.

Trump foi denunciado pela Câmara de Representantes por "incitamento à insurreição" no ataque ao Capitólio por uma multidão de seus apoiadores em 6 de janeiro, que deixou cinco mortos.

O senador democrata Tim Kaine reconheceu nesta quarta que a absolvição de Trump é altamente provável. Portanto, estava redigindo uma resolução de censura junto com colegas republicanos.

"Eu escrevi algo. Não apresentei ainda, porque estou tentando ver que ideias os outros têm sobre o que o texto deve dizer", disse ele a repórteres no Congresso. "Mas espero encontrar [um consenso] e que essa possa ser uma alternativa."

Kaine, da Virgínia, estaria trabalhando na questão com a republicana moderada Susan Collins, congressista pelo Maine.

"Acho que é bastante óbvio, pela votação de hoje, que o (ex) presidente provavelmente não será condenado. Basta fazer as contas", explicou Collins.

- As consequências -

Uma moção de censura é menos severa do que uma condenação de impeachment, mas não deixa de ser um documento oficial de desaprovação. Apenas um presidente americano foi censurado na história: Andrew Jackson em 1834.

A censura precisa ainda do voto de 10 republicanos para ser aprovada, mas essa perspectiva parece mais plausível.

Se Trump for condenado, a porta estará aberta para os democratas, que controlam o Senado graças ao voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris, aprovarem por maioria simples a proibição de que ele ocupe qualquer cargo público.

Uma censura, por outro lado, não produz essa possibilidade e deixa o caminho livre para uma nova candidatura de Trump à presidência em 2024. E isso é algo que boa parte dos eleitores republicanos apoia.

A pesquisa mais recente do Politico e a Morning Consult revelou que 56% dos eleitores republicanos acreditam que Trump deveria provavelmente ou definitivamente concorrer de novo, contra 36% que pensam que provavelmente ou definitivamente não.

- O temor -

Os legisladores republicanos que podem estar furiosos com o comportamento de Trump, incluindo seus esforços para reverter os resultados das eleições e suas repetidas alegações infundadas de fraude eleitoral, também estão bem cientes da base de apoio que ele tem.

Romper publicamente com Trump, que ainda tem grande poder no partido, pode prejudicar suas chances nas primárias legislativas de 2022 ou 2024, especialmente se Trump intervir e pedir a alguém que concorra contra um republicano que o prejudicou.

O republicano Mitch McConnell, o poderoso líder da minoria no Senado, rompeu com Trump em dezembro e reconheceu Joe Biden como o próximo presidente devidamente eleito.

Uma semana depois que a multidão pró-Trump atacou o Congresso, McConnell afirmou que não descartava a condenação do então presidente e disse, no privado, que acreditava que a conduta de Trump poderia ser passível de impeachment.

Na terça-feira, porém, McConnell estava entre os republicanos que votaram contra a continuação do julgamento. Quando questionado se seu voto significava que ele não tentaria condenar Trump, McConnell foi ambíguo. "Bem, o julgamento ainda não começou", disse ele a repórteres. "Pretendo participar e ouvirei as evidências."

Por sua vez, muitos democratas se manifestaram dizendo que o caso contra Trump é óbvio.

"O povo americano testemunhou o que aconteceu. Todos nós testemunhamos o que aconteceu", declarou o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, na terça-feira. "Para mim, o que Trump fez foi a coisa mais desprezível que um presidente já fez. Acho que ele deveria ser condenado."

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