Identificação de 26 mortos em Varginha (MG) buscará dados em banco de DNA

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PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O trabalho de identificação das 26 pessoas mortas durante uma operação policial conjunta na cidade de Varginha irá contar com a comparação de DNA coletado dos corpos e dados já registrados no Banco Nacional de Perfis Genéticos, segundo médicos-legistas do IML (Instituto Médico Legal).

O caso aconteceu no domingo (31) no município de 140 mil habitantes que fica no sul de Minas. A ação foi feita em conjunto entre a Polícia Militar do estado e a Polícia Rodoviária Federal.

O banco, criado em 2013 e coordenado pela Polícia Federal, é alimentado com amostras de pessoas que respondem por crimes, vestígios coletados em cenas de crimes e amostras de familiares de desaparecidos, entre outros

O Ministério da Justiça e Segurança Pública diz que as amostras de DNA estão sendo coletadas pelo banco regional e serão analisadas pela Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. A estimativa é que a análise seja feita em cerca de duas semanas.

Os mortos eram suspeitos de integrar uma quadrilha responsável por assaltos usando táticas do chamado "novo cangaço". Na modalidade, grupos de criminosos chegam em comboio a cidades de pequeno e médio portes para roubar bancos. Casos recentes aconteceram em Criciúma (SC), Uberaba (MG) e Araçatuba (SP).

"A gente permite no Brasil [amostras de] pessoas de quem você sabe a identidade, para fins criminais, para estabelecer o vínculo delas com outros casos. Há uma grande chance, principalmente nessas quadrilhas, nessas organizações criminosas, de encontrar matches (correspondência) e solucionar casos antigos", diz Ronaldo Carneiro, administrador do Banco Nacional de Perfis Genéticos da Polícia Federal e Coordenador do Comitê Gestor da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.

"A gente está fazendo análises para ver se irão bater, por exemplo, os casos de Criciúma, Araçatuba, são casos que a gente sabe que tem organizações criminosas por trás e que a coleta desses indivíduos que morrem em confronto pode elucidar".

A jornalistas, nesta segunda-feira, médicos-legistas do IML de Minas Gerais explicaram que os corpos foram levados de Varginha a Belo Horizonte devido à complexidade do trabalho para identificações. Os corpos foram numerados e foi feita a coleta de DNA.

Uma das dificuldades do trabalho, explicam os médicos-legistas envolvidos nele, é que, entre os mortos, podem haver pessoas de Minas, de outros estados brasileiros ou mesmo estrangeiros.

A investigação busca agora coincidências entre os DNAs das pessoas mortas durante a operação com registros da base do Banco Nacional de Perfis Genéticos, explica a médica-legista Tatiana Telles.

O banco usa a prova pericial do DNA e é usado em investigações criminais de todo o país. Em abril deste ano, de acordo com dados divulgados pelo governo federal, ele tinha mais de 100 mil perfis cadastrados, sendo a maioria deles relacionados a pessoas envolvidas em casos de abuso sexual e casos violentos. Destes perfis, 75 mil eram de pessoas condenadas e 16 mil de vestígios de locais onde ocorreram crimes.

Cássio Thyone, membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e perito aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal, avalia que o uso de dados do banco pode agilizar a identificação dos corpos.

Ele ressalta ainda a importância de que toda ação policial passe por análise das corregedorias, como algo necessário para manter a transparência nas atuações das forças de segurança. A PM de Minas diz que uma portaria para apurar internamente a atuação dos policiais foi assinada ainda no domingo. A corregedoria da PRF também investiga internamente os fatos.

Segundo informações divulgadas no domingo, moradores denunciaram um movimento de comboio de caminhonetes em estradas na região de Varginha --os suspeitos teriam alugado dois sítios em pontos extremos do município.

A PM afirmou que, quando policiais chegaram aos dois locais, para abordagem, foram recebidos a tiros. "Os militares precisaram revidar à agressão para proteger suas vidas", disse no domingo o tenente-coronel Rodolfo Morotti Fernandes, comandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar de Minas Gerais.

Com os suspeitos, foram apreendidos dez veículos, dez fuzis, três armas longas de grosso calibre, além de explosivos.

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