Declaração de Arnaga louva fim da ETA e pede "reconciliação"

Cambo-les-Bains (França), 4 mai (EFE).- A conferência internacional sobre o fim da ETA realizada em Cambo-les-Bains (França) foi concluída nesta sexta-feira com a leitura da "Declaração de Arnaga", um documento que dá boas-vindas ao desmantelamento do grupo terrorista basco, defende a "reconciliação" no País Basco, que ainda precisa de uma "solução global justa e duradoura".

As conclusões do encontro indicam "temas importantes que precisam ser resolvidos" e citam, em primeiro lugar, o caso "dos presos e das pessoas que estão foragidas", ao mesmo tempo em que reivindica "mais esforços para reconhecer e oferecer assistência a todas as vítimas".

O texto foi lido ao final do encontro pela jovem de Gernika, Irati Agorria, que representou a futura geração; pelo ex-diretor-geral do FMI, Michel Camdessus; por Jonathan Powell, ex-assessor do primeiro-ministro britânico Tony Blair, e também pelo político mexicano Cuauhtémoc Cárdenas.

"Hoje nos reunimos no Palácio Arnaga em Cambo-les-Bains para dar boas-vindas à declaração final deste grupo. Ontem, a ETA anunciou sua decisão de deixar de existir. É um momento histórico para toda a Europa, já que marca o fim do último grupo armado do continente", diz o texto.

A declaração afirma que, "acima de tudo", há pela frente "um processo de reconciliação", o que "requer muito tempo", porque "há feridas profundas que perduram".

"Famílias e comunidades permanecem divididas. Deve haver mais esforços para reconhecer e assistir todas as vítimas. Isto requererá que todas as partes sejam honestas sobre o passado, e será preciso um espírito de generosidade para curar as feridas e reconstruir uma comunidade compartilhada", diz o manifesto.

Nesse sentido, os signatários do documento dão boas-vindas ao recente comunicado da ETA no qual a organização "reconhece os sofrimentos que causou e apoia o trabalho de reconciliação que precisa ser realizado".

A declaração reivindica o "diálogo político", como também foi destacado na conferência de Aiete em 2011, para "construir a paz", motivo pelo qual afirma que "recorrer apenas a medidas de segurança e prisão é raramente eficaz".

"A paz não é um jogo de soma zero, mas uma questão de vontade política, onde ambas as partes entram em acordo para alcançar seus objetivos de forma pacífica, através de meios políticos e democráticos", acrescenta o texto.

Além disso, o documento assinala que "hoje é um bom dia para o País Basco, a Espanha, a França e toda a Europa, um dia para comemorar".

"Esperamos que, mais cedo que tarde, uma solução global, justa e duradoura será alcançada no País Basco com o esforço de todos", acrescenta o texto.

O documento lembra que foi pedido à ETA em Aiete que acabasse com sua atividade violenta e a organização terrorista "respondeu ao chamado" três dias depois, "manteve sua palavra e não houve mais violência", e depois procedendo com o seu desarmamento no ano passado.

No entanto, outras recomendações de Aiete não foram atendidas, já que foi solicitado um diálogo entre a ETA e o governo espanhol e este não aconteceu, mas houve "muitos outros esforços para alcançar a paz", segundo a declaração.

"A sociedade basca, as organizações civis, os partidos e as instituições bascas, de norte e sul, desempenharam um papel para avançar em direção à paz", conclui o texto que fechou a conferência internacional para avançar na resolução do conflito no País Basco. EFE

rh-mz-ab/rpr

(foto) (vídeo)