Identificados, dois dos três corpos achados em fossa são de desaparecidos após chacina contra família no DF; mortes chegam a 9

Dois corpos encontrados pela Polícia Civil em uma fossa, na madrugada desta terça-feira (24), nas proximidades do Núcleo Rural Santos Dummont, em Planaltina (DF), já foram identificados a partir de DNA e são de Thiago Gabriel Belchior da Oliveira e Cláudia Regina Marques de Oliveira. Ainda resta a identificação do terceiro cadáver, de uma adolescente, que pode ser de Ana Beatriz Marques de Oliveira. Elas são as últimas vítimas da chacina contra uma família inteira no Distrito Federal que ainda eram dadas como desaparecidas. A equipe forense ainda trabalha para identificar, também, os dois cadáveres carbonizados encontrados em Unaí (MG), que, ao que tudo indica, são de Renata Juliene Belchior e de sua filha, Gabriela Belchior de Oliveira.

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– O Instituto confirmou a indentificação de Claudia e Thiago como as pessoas encontradas ontem. Ainda falta a confirmação do terceiro corpo – revelou no início da tarde ao GLOBO o delegado Ricardo Viana, da 6ªDP.

Cláudia era ex-companheira do patriarca Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos – o primeiro a ser morto pelos criminosos e principal elo entre todas os demais parentes. Ana Beatriz é filha dos dois. Thiago, por sua vez, era filho de Marcos Antônio com Renata Juliene Belchior, atual esposa de Marcos, também assassinada na trama criminosa. Além disso, era marido da cabeleireira Elizamar da Silva, com quem tinha três filhos: os gêmeos Rafael e Rafaela, de 6 anos, e o menino Gabriel, de 7. Todos foram assassinados.

Falsa versão tentava incriminar vítimas

Em depoimento à polícia, logo após ter sido preso, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, de 49 anos, um dos quatro suspeitos de arquitetar e executar a chacina, tentou plantar uma versão falsa do crime aos investigadores: disse que tudo havia sido planejado por Marcos Antônio, Thiago Gabriel, Cláudia Regina e Ana Beatriz para extorquir valores referentes à venda de uma casa por Renata, no valor de R$ 400 mil, e de um empréstimo feito pela esposa de Thiago, Elizamar da Silva, de 39 anos – também morta na tragédia. A narrativa caiu por terra quando o corpo do patriarca foi encontrado esquartejado e enterrado no quintal do cativeiro, em Planaltina. No mesmo local, policiais também encontraram documentos e anotações que continham dados de contas bancárias de todos eles, o que indicava aos policiais que os quatro também eram vítimas.

Três homens estão presos por participação no crime: Horácio Carlos Ferreira Barbosa, de 49 anos, Gideon Batista de Menezes, de 55, e Fabrício Silva Canhedo, de 34 anos). Um quarto suspeito segue foragido (Carlomam dos Santos Nogueira, vulgo Carlinhos, de 26 anos). Na chácara usada como cativeiro pelos criminosos, policiais encontraram ainda um bilhete escrito à mão usado para atrair Thiago Gabriel e sua família até a emboscada. Nem as crianças – os gêmeos Rafael e Rafaela, de 6 anos, e Gabriel, de 7 – foram poupados pelos bandidos.

Nove mortes confirmadas

Os corpos de Elizamar da Silva e dos filhos, os gêmeos Rafael e Rafaela, de 6 anos, e Gabriel, de 7, foram encontrados carbonizados dentro do carro da família, abandonado em chamas numa estrada em Cristalina (GO). A polícia também encontrou dois corpos queimados dentro de um veículo, deixado numa rodovia de Unaí (MG), pertencente a Marcos Antônio, que seriam de duas mulheres: sua esposa Renata Juliene Belchior, de 52 anos, e sua filha, Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos. A identificação desses dois corpos ainda não foi concluída.

O sétimo corpo encontrado pela polícia foi o do patriarca Marcos Antônio, já no âmbito de investigação da chacina. Àquela altura, o homem ainda era tido como suspeito, por conta do depoimento dos presos pelo crime. Ele foi achado esquartejado e enterrado no quintal da chácara onde vítimas foram mantidas em cativeiro, em Planaltina. Na madrugada desta terça-feira, foram descobertos num fosso no Núcleo Rural Santos Dummont, em Planaltina, os corpos dos últimos três desaparecidos: Thiago Gabriel Belchior da Oliveira e Cláudia Regina Marques de Oliveira. Ainda falta a identificação de Ana Beatriz Marques de Oliveira.

O quarto suspeito, Carlomam, vulgo Carlinhos, que ainda está foragido, já é tido pela polícia como um dos executores. Digitais dele foram localizadas em vários locais do cativeiro e no veículo Renault usado na trama e apreendido posteriormente. Até o momento, a polícia não conseguiu localizá-lo. Ele já tem passagem pela polícia. Em 2018, foi indiciado por pertencer a uma facção criminosa local.

Polícia investiga novas pistas

Também esta semana, a Polícia Civil encontrou um carro, em nome de Horácio, abandonado no Paranoá Parque, local próximo a onde morava Marcos Antônio. Trata-se de mais um rastro deixado para trás pelos suspeitos. O veículo, antigo, estava com sinais de estar abandonado ali há dias e sujo de terra, o que levantou suspeitas aos investigadores, já que a vítima foi esquartejada e enterrada após ter sido morta. O automóvel passará por uma perícia.

Câmeras flagraram movimentação de carros com os corpos

Os investigadores tiveram acesso às imagens do circuito de uma casa que fica ao lado do cativeiro. No dia 14 de janeiro, imagens mostram o momento em que o veículo Renault, usado pelos criminosos, deixa o local com o Fiat Siena, de Marcos Antônio, que seria localizado queimado em Unaí (MG), com os corpos de duas mulheres, que seriam Renata Juliene Belchior, sua esposa, e Gabriela Belchior de Oliveira, sua filha.

No vídeo, os dois veículos aparecem saindo do cativeiro à 1h15. Verifica-se que uma das lanternas do Siena está queimada. Por volta, das 5h03, apenas o Renault retorna; Cerca de 30 minutos depois, às 5h35, um homem, trajando bermuda, camiseta, boné e chinelo sai do mesmo local de onde os veículos estavam.

Crime motivado por dinheiro

A polícia suspeita que o crime esteja ligado a R$ 400 mil obtidos pela mulher de Marcos Antônio e mãe de Thiago Gabriel, Renata Juliene Belchior, de 52 anos, com a venda de uma casa em Santa Maria (DF). E a R$ 100 mil de um empréstimo pedido pela mulher de Thiago e nora de Marcos, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39 anos.

De 14 a 16 de janeiro, a polícia recebeu denúncias de desaparecimento de dez pessoas, todas da mesma família. Os denunciantes eram dois filhos de Elizamar, que foi assassinada: um rapaz de 24 anos e uma jovem de 18 anos, preocupados com o sumiço da mãe e os demais parentes.

Investigadores descobriram que dois carros com corpos carbonizados haviam sido encontrados em Cristalina (GO) e Unaí (MG) entre os dias 13 e 14, e o veículo achado em Goiás pertencia a Elizamar. Dentro dele, havia quatro corpos: o da cabeleireira e de três filhos — um menino e uma menina, gêmeos, de 6 anos, e um garoto de 7 anos.

O carro achado em Minas estava em nome de Marcos Antônio. Nele, estavam duas vítimas queimadas, que podem ser Renata Juliene, mulher de Marcos, e Gabriela Belchior de Oliveira, de 25 anos, filha do casal.