Idosa perde exame de câncer por conta de bloqueio bolsonaristas realizados nas vias

Idosa perde exame por causa de bloqueios golpistas de bolsonaristas no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Idosa perde exame por causa de bloqueios golpistas de bolsonaristas no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Por conta dos bloqueios realizados nas rodovias do país, por manifestantes bolsonaristas que não aceitam os resultados das eleições presidenciais, uma idosa, de 67 anos, de Itaboraí (RJ) perdeu um exame para o tratamento de câncer, marcado há mais de um mês.

Alícia Bastos, de 22 anos, neta da paciente, disse que a avó teria de percorrer quase 50 quilômetros para ir de Itaboraí ao Hospital do Câncer, em Vila Isabel, na zona norte da capital fluminense, onde faria uma biópsia de um câncer de mama.

Segundo a estudante, a viagem já estava planejada, mas obstruções na BR-101 e na ponte Rio-Niterói atrapalharam os planos.

"Estava uma loucura. O rapaz que iria levá-la ao hospital ligou às 5 horas da manhã dizendo que estavam queimando pneus e ele não conseguiria chegar", contou a neta ao portal UOL. "E, para ela ir para o Rio, São Gonçalo ou Niterói, precisa passar por esse trecho", completou.

Marcado há mais de um mês, o exame deveria ser realizado nesta terça-feira. No entanto, os bloqueios impossibilitaram a realização do mesmo na data agendada.

Diante da ausência no local, não há previsão de quando a idosa vai conseguir fazer a biópsia, que é uma etapa importante para iniciar o tratamento. A previsão é de que ela consiga um encaixe na próxima semana. Ainda assim, o resultado leva mais 20 dias para ficar pronto.

Além disso, as obstruções nas vias também causam insegurança sobre a continuidade do tratamento. Mesmo que ela consiga chegar ao hospital, a família teme por dificuldades no deslocamento em caso de algum problema na biópsia.

"Eles vão fazer uma incisão para extrair o material. Por uns dias, precisa evitar esforço e mexer os braços para não ter o risco de hemorragia. Nosso medo era ela vir embora, subir a pressão, ter que voltar ao hospital e não ter como [por causa dos bloqueios]," citou a neta da idosa.

Há menos de dez dias, no dia 25 de outubro, a idosa esteve na unidade de saúde e realizou outros exames, como a mamografia e coleta de sangue. Mas é o resultado da biópsia que vai indicar aos médicos qual o melhor tratamento para ela. Dois tumores foram identificados em exames de rotina em agosto de 2022.

Por conta do alto custo com o tratamento e sem poder custeá-lo, a decisão da família foi recorrer ao SUS (Sistema Único de Saúde), que pede que os exames sejam refeitos pela rede pública.

"Agora o problema é agilizar logo isso para começar o tratamento, porque é uma corrida contra o tempo. O sentimento é de tristeza. Muita tristeza", finalizou Alícia.