Idoso vai a drive-thru com retroescavadeira para tomar vacina em SP: 'Vou em tudo que é lugar com ela'

Redação Notícias
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Como não tinha carro, o idoso não teve escolha e apareceu em um drive-thru da imunização contra o coronavírus em cima de uma retroescavadeira (Foto: Arquivo pessoal)
Como não tinha carro, o idoso não teve escolha e apareceu em um drive-thru da imunização contra o coronavírus em cima de uma retroescavadeira (Foto: Arquivo pessoal)
  • Idoso apareceu em um drive-thru da imunização contra a Covid-19 com uma retroescavadeira

  • A cena inusitada chamou atenção dos moradores de Assis, no interior de São Paulo

  • Na cidade, a vacinação para idosos a partir de 68 anos continua das 8h às 13h, nas Unidades Básicas de Saúde

José de Almeida Filho, de 68 anos, até tentou receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19 sem chamar atenção. Mas, como não tinha carro, o idoso não teve escolha e apareceu em um drive-thru da imunização contra o coronavírus em cima de uma retroescavadeira.

"Eu deixei o trator na rua e fui a pé, mas falaram que não podia, que tinha que ter uma condução. Aí eu falei que estava com o trator e disseram: 'pode vir com o trator mesmo'", relatou José, que trabalha com o maquinário fazendo limpeza de terrenos na cidade, ao G1.

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A cena inusitada aconteceu em Assis, no interior de São Paulo, no último dia 1º. Segundo o idoso, ao perceber que a fila para vacinção estava "tranquila", como ele mesmo disse, ele decidiu parar por ali para tomar o imunizante.

A Prefeitura de Assis tem outros pontos de vacinação contra o coronavírus para os idosos. No entanto, José disse que gostou da praticidade do drive-thru e que pretende voltar ao local com a máquina para tomar a segunda dose.

"Eu ando sempre de retroescavadeira, trabalho com ela. Minha vida é com ela, vou até no supermercado, em tudo que é lugar com ela", disse.

Mas nem todo mundo gostou da presença de uma retroescavadeira no local. De acordo com o idoso, alguns moradores teriam dito que ele foi com a máquina ao ponto de vacinação para fazer propaganda do veículo.

"Eu tinha parado longe, eu nem pensei nisso. Acharam que eu ia fazer um marketing, que eu queria me aparecer, mas não foi nada disso", explica o idoso.

Em Assis, a vacinação para idosos a partir de 68 anos continua das 8h às 13h, nas Unidades Básicas de Saúde. A prefeitura também segue aplicando a segunda dose no moradores com mais de 75 anos.

4 mil mortes e um país colapsado

Enquanto se desenrola a vacinação de idosos e profissionais de saúde pelo Brasil, cinco estados e o Distrito Federal começaram ontem a imunizar forças de segurança. Na próxima semana, dependendo da região, professores também poderão receber suas doses. Por outro lado, há cidades em que esses grupos só serão vacinados depois de todos os idosos, ou então após os portadores de comorbidades. Para especialistas, a falta de critérios nacionais atrapalha a vacinação contra a Covid-19, sobretudo em um contexto com poucas doses disponíveis.

O Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19 estabelece um grupo prioritário com 77 milhões de pessoas.

Mobile Emergency Care Service (SAMU) worker Elias Anjo, right, checks a patient suspected of having COVID-19 at her house in Duque de Caxias, Rio de Janeiro state, Brazil, Tuesday, April 6, 2021. (AP Photo/Felipe Dana)
Mobile Emergency Care Service (SAMU) worker Elias Anjo, right, checks a patient suspected of having COVID-19 at her house in Duque de Caxias, Rio de Janeiro state, Brazil, Tuesday, April 6, 2021. (AP Photo/Felipe Dana)

Dentro dele, elenca prioridades, na ordem: depois que idosos com mais de 60 anos e trabalhadores da saúde forem vacinados, é a vez das pessoas com comorbidades, que são 17,7 milhões com doenças associadas com potencial de agravar a Covid-19. Então vêm pessoas com deficiência, em situação de rua, privadas de liberdade, funcionários penitenciários e, só então, trabalhadores da educação. As forças de segurança vêm a seguir.

O PNI informa que estabelece a ordem, e que a orientação do Ministério da Saúde é seguir esse cronograma. No entanto, estados e municípios têm autonomia para seguir uma estratégia própria.

O que está acontecendo com o Brasil?

As piores expectativas se concretizaram: pela primeira vez desde que a pandemia do coronavírus começou em março de 2020, o Brasil superou a marca de 4 mil mortes. O número exato, 4.195 óbitos, foi divulgado nesta terça-feira (6) pelo Conass.

O número era esperado e não só desde hoje. Quando São Paulo bate recordes, o país costuma bater. E o estado mais rico do país chegou hoje a impressionantes 1.389 mortos em apenas 24h de acordo com dados divulgados também nesta terça. E pode ficar pior.

Março foi o mês no qual mais morreram brasileiros na história e abril tem tudo para superar essa trágica marca, fazendo o brasileiro repensar: será que esse março que já foi insuportável para todos era só o começo? Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, responsável pela Coronavac no país, acredita que chegaremos a 5 mil mortes em breve. Não parece mais um número tão distante.

Aliás, podemos falar de tudo, menos de falta de aviso. Ainda em junho, projeção do Instituto de Métrica da Universidade de Washington dizia que o Brasil poderia chegar às 5 mil mortes. À época, no entanto, a segunda onda da covid ainda estava distante e era tratada como alarmismo em meio à euforia do final da primeira fase vermelha que o país viveu quase que por inteiro.