Idosos aguardam uma hora e meia em fila para vacinação na zona leste de SP

MARIANA FREIRE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde as 6h30, o flamenguista Cosme Alves de Jesus, 90, já esperava o início da vacinação em esquema drive-thru na Neo Química Arena, em Itaquera, o estádio do Corinthians, na zona leste da cidade de São Paulo. O início da campanha estava marcado para as 8h. "Eu estava ansioso", diz o idoso, o primeiro a ser vacinado contra a Covid-19 no local. O estádio é um dos cinco pontos de imunização iniciados nesta segunda-feira (8) em que os idosos não precisam descer do carro para receber a dose. "Eu quero me vacinar para me proteger e viver mais um pouco", afirma Cosme, morador de São Mateus. Ele foi levado ao estádio pelo genro, o motorista Luiz Pereira, 55. Voltar a ver os familiares e a trabalhar --ele recolhe e vende materiais recicláveis-- é o principal objetivo do idoso. A vacinação de idosos na capital paulista teve início na sexta-feira (5) e, em dois dias, metade do público alvo dessa faixa etária já recebeu a primeira dose. Na Coordenadoria Regional de Saúde Leste, onde a Arena Corinthians está, há 5.686 pessoas aptas a receber a vacina agora. A vacina aplicada no local é a da Oxford/Astrazeneca, que requer a segunda dose após 90 dias. A zona leste é a região da capital onde há, atualmente, a maior incidência de Covid-19, segundo o inquérito sorológico da prefeitura. O atendimento, contudo, não é restrito à população da região: para ser vacinado, basta apresentar CPF, carteira de vacinação e Cartão do SUS, caso tenha o documento. Na entrada do estacionamento leste do estádio, os carros passam por uma triagem e, em seguida, há três pontos de vacinação. O percurso dura cerca de cinco minutos, mas por volta das 9h já não havia fila de espera para entrar. O segundo carro da fila trazia Ruth Berne, 92, para receber o presente de aniversário adiantado --ela completa 93 no dia 16. "Vim bem cedo porque não vejo a hora [de vacinar]". O motorista José Antônio Morais, 69, foi quem trouxe Ruth. Ele diz que, agora, a expectativa é para vacinar a mãe, que tem 87 anos. "Eu ainda não tenho chance, mas a minha mãe não vê a hora de sair de casa." "Eu vim que é para poder chegar aos 100", adianta Victor Vieira, 98. "E vim porque quero ficar livre dessa muvuca de coronavírus." O presidente do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, acompanhou os primeiros vacinados no estádio. Segundo ele, mais que receber jogos da Copa do Mundo ou das Olímpiadas, este é a tarefa mais importante da Arena. "Esse momento é como um grito de gol. E a saúde está em primeiro lugar: aqui não temos torcida única."