"Descartáveis" e "indignados": idosos reagem ao pronunciamento de Bolsonaro

Idosos contam como se sentiram com o discurso de Jair Bolsonaro (Foto: Arquivo Pessoal)

Por Paulo Pacheco (@ppacheco1)

O pronunciamento em rede nacional do presidente Jair Bolsonaro, na noite da última terça-feira (24), sobre o combate ao novo coronavírus preocupou e revoltou idosos, apoiadores ou não do governo. O chefe do Executivo afirmou que jovens podem deixar a quarentena para trabalhar e que somente pessoas acima de 60 anos formam o grupo de risco da Covid-19, exceto ele, que "pelo histórico de atleta" sentiria uma "gripezinha" ou "resfriadinho".

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Procurados pelo Yahoo!, idosos que assistiram ao pronunciamento pela TV se mostraram indignados pela forma como Bolsonaro tratou a doença, esquecendo outros grupos vulneráveis e o risco de jovens e adultos deixarem o confinamento e levarem o vírus para casa.

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O desabafo no Twitter do representante comercial Wagner Lucio, de 60 anos, se sentindo "descartável" após o discurso de Bolsonaro, viralizou em outras redes sociais. Além de ser diabético, o mineiro acompanha o tratamento do filho contra um câncer.

"Era só um desabafo de um pai. A história do meu filho é de arrepiar. Duas enormes cirurgias, tinha pouca chance de escapar, foi comunicado pelos médicos que a chance de sair era pequena, chegou a se despedir da família. Foi lá e se recuperou, fazendo ainda 12 sessões de quimioterapia. Aí vem um presidente da República e faz um discurso como aquele. Dói muito. Felipe está lutando para ter uma vida pós-câncer e um vírus pode matá-lo. Não, não é uma gripezinha", afirma.

As aposentadas paulistas Astéria Batista, 69, e Conceição Marques viram um presidente "frio" e preocupado com política ao invés de solidarizar com as vítimas e anunciar medidas contra a propagação da covid-19.

A aposentada Conceição Marques, 68 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Assisti e me senti descartável, como se não tivesse mais valor, só porque sou idosa sou o foco transmissor de uma doença. Em vez dele se preocupar, por exemplo, com os benefícios que estão atrasados no INSS ou ajudar os estados a superar esse momento, ele está preocupado somente em sua reeleição, diz Astéria.

"Muita frieza com o ser humano em geral, ele deveria ser o apoio para a humanidade e estamos sem o apoio que ele sempre recebeu para ocupar o cargo em que está", opina Conceição Marques, 68.

O aposentado paulista Gilberto Belchior de Camargo, 80, trabalhou durante quatro décadas como funcionário público, se revoltou com a fala do presidente e lamentou ter servido ao Estado em vão.

O funcionário público aposentado Gilberto Belchior de Camargo, 80 (Foto: Arquivo Pessoal)

"Trabalhamos por tanto tempo, contribuímos tanto para o país, e chega um presidente, em rede nacional, falando que se trata de uma 'gripezinha' e não há perigo de morte. É como se o velho, por ter mais gastos médicos e não produzir mais, não fizesse mais sentido para o governo atual. Como o presidente vem em rede nacional contra tudo e todos, incluindo o próprio ministério? O que ele fez é tão grave que coloca o idoso como se fosse descartável, porque o jovem é potencial transmissor para o pai e o avô, mas se recupera rapidamente. Agora que estamos velhos e trabalhamos tanto não servimos mais para nada. Isso nos revolta pois deveríamos ser mais vistos por tudo que fizemos. Sentimento total de indignação", protesta Gilberto.

A professora Jurema Brasil Xavier, 64 anos, reclama que Bolsonaro se mostrou mais preocupado com a economia do que com a saúde: "Claro que me senti desrespeitada. Não é uma questão de vida ou morte dos mais velhos. É que esta ação do 'Bolsonazi' deixa claro o quanto o lucro é mais importante que a vida humana".

O casal José e Ivaneide Ferreira, moradores de Americana (interior de São Paulo), pede que Bolsonaro pare de pensar em si próprio e tranquilize a população com ajuda de Deus.

O casal Ivaneide, 61, e José Ferreira, 64, com a cachorrinha Diadorim, em Americana (SP) (Foto: Arquivo Pessoal)

"Achei um posicionamento equivocado, imprudente e altamente individualista, já que ele citou que, por praticar atividade física, esteja protegido das reações da covid-19. Não me senti descartável, pois sua fala não me influencia nem me atinge. Mas ele esqueceu que, liberando os demais, pode espalhar o vírus com mais intensidade, atingindo diretamente a todos e não apenas os idosos", argumenta a aposentada de 61 anos.

"Foi uma posição precipitada e desesperada por pensar não estar sendo o centro das atenções. O desrespeito foi a ele próprio. Também não me senti descartável porque quem cuida de mim é Deus. Acho que ele deveria aproveitar este momento a convocar a nação à oração para vencermos", sugere José, professor estadual de 64 anos.

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