iFood lança projeto para reduzir uso de plástico e quer ser neutro em emissão de carbono até 2025

Raphaela Ribas
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RIO - Em meio aos problemas de falta de matéria-prima e custo alto das embalagens, que se intensificaram com o delivery na pandemia, o iFood lança hoje um plano de impacto ambiental, cuja proposta é reduzir o uso de plástico nas suas operações e se tornar neutro na emissão de carbono até 2025.

O vice-presidente de pessoas e sustentabilidade da empresa, Gustavo Vitti, explica que a empresa vai investir em veículos elétricos, no desenvolvimento de embalagens sustentáveis e na parceria com cooperativas de reciclagem.

— A primeira frente para a redução de plástico é a mudança de hábito. Em dezembro, começamos a testar no aplicativo uma opção onde o cliente pode recusar talher de plástico. Vimos que 90% do público dispensou o item e, agora, vamos ampliar a ideia para sachês e canudos — conta ele sobre o projeto batizado de iFood Regenera.

Vitti disse que a companhia também está investindo na automação e capacitação nos centros de triagem de reciclagem e que vai fazer pesquisas para encontrar um material mais competitivo com o plástico para a cadeia de entregas.

— A escala de produção do plástico é maior. Por isso, é mais barato e acaba sendo mais usado. Estamos fechando parcerias para subsidiar as empresas de papel para aumentarem suas produções e, com isso, e ajudá-las a chegar em um valor competitivo de embalagem sustentável.

O executivo não deu valores de investimento nem qual a quantidade média de papel e plástico nas embalagens do consumo via delivery.

Depois que as entregas cresceram na pandemia, muitas vezes, sendo a única opção de estabelecimentos, o peso do custo da embalagem na conta final passou a ser significativa.

Paulo Somucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), lembra que antes da pandemia, o faturamento que vinha de entregas era em torno de 15%. Hoje, a média é de 70%, podendo chegar a 100%.

— Quando começa a vender mais, isso pesa. Antes era um serviço a mais para o cliente, agora, a margem de lucro no delivery passou a ser mais importante. Outro fato que espreme essa conta é que a inflação de alimento foi de 15%, e setor só repassou 4,9% para seus clientes - diz Somucci.

Um outro movimento sustentável, segundo ele, é o de clientes reutilizarem as embalagens e até mesmo levarem seus potinhos e panela para o restaurante.

Embalagens mais caras na pandemia

A ideia de achar uma solução sustentável mais em conta do iFood, que cresce exponencialmente na carona do delivery, vem em um momento em que as indústrias de plástico e papel sofrem com o encarecimento do custo de produção e falta de matéria-prima.

Os preços de embalagens de papéis têm apresentado tendência de alta desde outubro do ano passado, devido a pressões de demanda e de oferta. Por exemplo, entre setembro de 2020 e março de 2021 o preço do papel testliner, em reais, aumentou 84%. Já o preço do papel miolo, também usado em embalagens, subiu 93% neste período.

O professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, Carlos José Caetano Bacha, explica que não foi só a intensificação do consumo interno, com destaque para o delivery, responsável pelos aumentos.

— As altas vêm também pelo encarecimento da produção, que está sendo pressionada pela desvalorização do real e pelo preço em dólar da celulose. Entre novembro do ano passado e este mês, o preço em dólar da celulose aumentou 15%.

Um outro problema na pandemia foi a reciclagem, que ficou mais difícil com as medidas de restrição de funcionamento do comércio. Segundo Pedro Vilas Boas, presidente executivo da Associação Nacional dos Aparistas de papel, a recuperação vem ocorrendo, mas a falta desta matéria-prima implicou em um forte reajuste dos preços.

— De uma forma geral, o mercado encontrou soluções e manteve a produção de embalagens em nível satisfatório. Agora, estamos preocupados que o recrudescimento da pandemia prejudique a normalização do abastecimento — avalia Vilas Boas.

O preço das embalagens plásticas também teve impacto da falta de insumos e do câmbio. Os preços das matérias-primas usadas para a fabricação de plásticos que acondicionam comida em restaurantes aumentaram entre 100% a 140% no mercado interno do início de 2020 até agora.

Bikes e motos elétricas

Dentro do plano sustentável do iFood está o transporte sem poluição. Eles já testaram 30 motos elétricas e 500 bicicletas elétricas com seus entregadores em São Paulo.

— Expandimos as bicicletas para o Rio na semana passada e, até o fim do ano, para mais três cidades. Em paralelo, fizemos parceria com a montadora Voltz, empresa especializada em motos elétricas. A expectativa é de chegar a mais de 10 mil motos nos próximos 12 meses. E estamos desenvolvendo parcerias para criar uma linha de crédito especial para entregadores parceiros — revela Vitti.

Além destas ações, está prevista a criação de um telhado verde na sede do iFood em Osasco, comprodução de hortaliças para distribuir em comunidades do entorno. A capacidade de produção da horta pode chegar a cerca de uma tonelada mensalmente.