IGP-M: inflação do aluguel tem maior taxa para março desde 1994 e sobe 31,10% em 12 meses

Carolina Nalin
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O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), usado como referência para corrigir o valor do aluguel, subiu 2,94% em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi a maior taxa para o mês de março desde 1994.

Com o resultado, o indicador acumula alta de 8,26%. Em doze meses, a alta chega a 31,10%. É também a maior taxa para doze meses desde maio de 2003, quando o indicador atingiu 31,53%.

O indicador é muito influenciado pela variação do dólar e pelos preços de commodities com cotações internacionais, desde grãos como soja e milho até combustíveis.

Na composição do IGP-M, o Índice de Preço Amplo (IPA), que reflete os preços no atacado, corresponde a 60%. Já o Índice Preços ao Consumidor (IPC) tem peso de 30%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) equivale a 10%.

De acordo com a pesquisa, o resultado de março foi influenciado pela alta dos combustíveis, como o óleo diesel (25,87%) e a gasolina automotiva (23,81%), além do aumento no preço do etanol (16,64%), gás de botijão (4,23%) e materiais e equipamentos, que aceleraram de 2,39% em fevereiro para 4,44%%.

Desde o ano passado, o IGP-M tem registrado variações bem distantes da inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alta do índice preocupa os analistas do mercado e também proprietários e inquilinos que utilizam o indicador, já que este serve como referência para a correção de contratos de aluguéis.

Em 2020, o IGP-M subiu 23,14%, contra 4,52% do IPCA. O resultado foi o maior avanço desde 2002, quando fechou em 25,31%, e bem acima de outras métricas inflacionárias.

Para este ano, a meta central de inflação do governo é de 3,75%, com possibilidade de oscilação entre 2,25% e 5,25%. Segundo o último boletim Focus do Banco Central, a expectativa do mercado para o IPCA em 2021 subiu de 4,71% para 4,81%.