IGP-M, que corrige o aluguel, tem alta de 37% em 12 meses. Saiba como negociar o seu contrato

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RIO — O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado no reajuste dos contratos de aluguel do país, subiu 4,10% em maio. Com a taxa, que é superior ao 1,51% do mês anterior. Com este resultado, o índice acumula altas de 14,39% no ano e de 37,04% em 12 meses.

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), em maio de 2020, o IGP-M registrava taxas de 0,28% no mês de maio e de 6,51% em 12 meses.

A alta de abril para maio foi puxada principalmente pelos preços no atacado, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60%, e subiram 5,23% em maio, acima do 1,84% do mês anterior.

“Os preços de commodities importantes voltaram a pressionar a inflação ao produtor. Em maio, o IPA avançou 5,23%, sob forte influência dos aumentos registrados para minério de ferro (de -1,23% para 20,64%), cana-de-açúcar (de 3,43% para 18,65%) e milho (de 8,70% para 10,48%). Essas três commodities responderam por 62,9% do resultado do IPA, cuja taxa foi de 5,23%”, afirma André Braz, Coordenador dos Índices de Preços.

Houve altas também no Índice de Preços ao Consumidor, que mede o varejo e que passou de 0,44% em abril para 0,61% em maio, e no Índice Nacional de Custo da Construção, que subiu de 0,95% para 1,80%.

O IGP-M é conhecido como 'inflação do aluguel', por servir de parâmetro para o reajuste da maioria dos contratos de locação residencial. Ele sofre uma influência considerável das oscilações do dólar, além das cotações internacionais de produtos primários e matérias-primas. Desde 2020, o índice tem subido bem acima da inflação oficial do país, medida pelo IPCA.

A disparada do IGP-M tirou o sono de muitos inquilinos este ano. Isso porque o reajuste dos contratos com valores acima de 30% está fora da realidade orçamentária de muitas famílias, ainda mais num ano marcado pela recessão provocada pela pandemia.

Para especialistas e profissionais do mercado imobiliário, a recomendação, tanto para inquilinos como proprietários, é buscar o bom senso na hora da negociação.

O que levar em conta na hora de negociar o reajuste do contrato

Moro de aluguel, o que fazer?

Caso o reajuste do aluguel pelo IGP-M impacte o orçamento familiar, a recomendação é procurar a corretora ou o proprietário para negociar o reajuste anual por uma taxa mais razoável.

Sou proprietário, o que fazer?

O reajuste pelo IGP-M é uma prerrogativa do proprietário, caso esteja em contrato. A imposição, porém, pode inviabilizar a permanência do locatário no imóvel, acarretando custos para manter o imóvel desocupado.

E se não houver acordo?

Caso o inquilino se recuse a pagar o valor proposto pelo proprietário, ele deve pedir a rescisão do contrato, com o pagamento de multa.

Qual é o valor da multa?

Os valores são definidos em contrato. A prática do mercado é fixá-la em três vezes o valor do aluguel, com cobrança proporcional ao tempo que falta para o encerramento do contrato. Também é praxe estipular isenção após o 12º mês.

O proprietário pode exigir a desocupação do imóvel?

Em condições normais, não. O contrato oferece certa proteção ao inquilino, mas em caso de descumprimento, como o não pagamento do aluguel, o proprietário pode abrir uma ação de despejo, que dá prazo de 15 ou 30 dias para a desocupação do imóvel.

(*) Com G1

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