Igreja da Penha faz 365 anos sem festa, mas com missa on-line e fogos de artifício

Célia Costa
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A festa da Igreja da Penha, que costuma acontecer sempre no mês de outubro, foi adiada neste ano
A festa da Igreja da Penha, que costuma acontecer sempre no mês de outubro, foi adiada neste ano

A pandemia de Covid-19 reduziu o acesso dos fiéis à Basílica Santuário da Penha, no alto da Serra da Misericórdia, desde março. Até a festa, que tradicionalmente acontece no mês de outubro e atrai mais de 35 mil devotos, foi adiada para 2021, a fim de evitar aglomeração no lugar: excepcionalmente, a celebração dos 365 anos da Igreja da Penha vai acontecer em maio. Ou seja: no ano que vem, Nossa Senhora da Penha terá duas grandes festas, já que o aniversário de 366 anos, a princípio, está confirmado para outubro de 2021, com uma extensa programação. Nesta sexta-feira, dia 23 de outubro, no entanto, a padroeira dos bairros da Leopoldina vai ganhar uma singela homenagem.

Em 23 de outubro de 1986, a estrada de ferro ali na região foi concluída e inaugurada, o que facilitou o acesso dos romeiros ao santuário da padroeira de 16 bairros da Leopoldina. Para celebrar, hoje, às 18h30, um queima de fogos no alto da Basílica, em comemoração aos 134 anos da região, vai iluminar o céu da Penha. Mais cedo, às 17h, o reitor da Basílica Santuário da Penha, padre Thiago Sardinha, celebra uma missa, com transmissão pelas redes sociais, para apenas para 30 convidados que estão presencialmente na igreja. Segundo o pároco, a quantidade de pessoas é limitada para que seja cumprido o protocolo de prevenção à Covid-19, com o distanciamento de dois metros entre as pessoas. Após a missa, a primeira na igreja desde o início da pandemia, acontece a queima de fogos.

A Festa da Penha, que já foi a segunda a maior festa popular do Rio de Janeiro, perdendo apenas para o carnaval, sempre foi comemorada com muito samba. Em anos anteriores, contava com participação do bloco Cacique de Ramos e apresentação da Imperatriz Leopoldinense. O reitor do Santuário lembra que foi lá, em 1917, que o compositor Ernesto dos Santos, mais conhecido como Donga, lançou “Pelo telefone”.

— A Festa da Penha já foi até maior que o carnaval. A origem do samba foi aqui na Igreja da Penha, muito antes de ir para a Avenida Central, hoje a Rio Branco, e depois para a Marquês de Sapucaí — explica padre Sardinha.

Desde de março, as missas na igreja foram suspensas. Elas são realizadas na Concha Acústica, que fica ao lado do estacionamento, na parte baixa da Santuário. O padre Thiago Sardinha conta que outra medida adotada para a prevenção ao novo coronavírus é a realização de missas drive-in, no pátio da igreja, onde os fiéis assistem à celebração de dentro dos seus carros.

No Rio de Janeiro, a devoção à Nossa Senhora da Penha começou no início do século 17, por volta do ano de 1635, quando o Capitão Baltazar de Abreu Cardoso ia subindo o penhasco para ver as suas plantações, uma vez que era proprietário de toda a área no entorno do atual Santuário. Segundo a história, ele foi atacado por uma enorme serpente e, devoto da santa, pediu socorro a ela, gritando: “Minha Nossa Senhora, valei-me!”. Nesse momento, teria surgido um largarto, que travou uma briga com o outro animal, abrindo espaço para Baltazar fugir. Agradecido, ele construiu uma pequena capela, onde pôs uma imagem de Nossa Senhora.

Até hoje, as graças conseguidas após promessas e atribuídas à interseção da santa são pagas pelos devotos no local, que sobem os 382 degraus da escadaria principal, a pé ou de joelho. As imagens desses agradecimentos correram o mundo ao longos dos anos.