Igreja mórmon recebe denúncia de pai abusador e deixa passar: 'Não somos obrigados'

Pai abusou das filhas durante anos nos EUA (Foto: Getty Images)
Pai abusou das filhas durante anos nos EUA (Foto: Getty Images)

MJ tinha 5 anos de idade quando seu pai revelou ao bispo que abusava sexualmente dela.

O bispo John Herrod, que também era médico de família, seguiu a política da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e ligou para o que as autoridades religiosas chamam de “central de atendimento” para pedir orientação.

Os advogados da instituição, conhecida como igreja Mórmon, disseram para o religioso não chamar a polícia, nem os agentes do conselho tutelar.

Com isso, o bispo manteve o abuso em segredo, informou a reportagem divulgada pela agência de notícias AP (Associated Press).

Por mais um ano Herrod continuou aconselhando o pai da criança, Paul Douglas Adams. Ele também conversava com a mulher do homem, Leizza Adams, que não fez nada para proteger os filhos.

De acordo com a AP, “Adams continuou a estuprar MJ por mais sete anos, até a adolescência, e também abusou de sua irmã bebê, que nasceu nesse período. Ele frequentemente filmava os abusos e publicava os vídeos na internet.”

Em 2017, o homem foi preso por agentes de Segurança Nacional, sem auxílio da igreja. Autoridades policiais da Nova Zelândia haviam descoberto uma das gravações do abuso. 

Ele se suicidou sob custódia antes de enfrentar julgamento.

A agência de notícias Associated Press teve acesso a quase 12 mil páginas de registros sigilosos de um processo por abuso sexual de menores, sem vínculo com esse caso, contra a igreja Mórmon do estado americano da Virgínia Ocidental.

“Eu só acho que a igreja Mórmon é realmente um lixo. Lixo de verdade”, disse MJ, que atualmente tem 16 anos, durante uma entrevista à AP.

“Eles são simplesmente o pior tipo de gente, pelo que vivi e pelo que outras pessoas também viveram.”

A família vivia em uma estrada de terra a cerca de 12km do centro de Bisbee, no sudeste do Arizona, nos Estados Unidos.

Documentos jurídicos analisados pela agência AP revelam que a casa ficava cheia de roupas e embalagens de lubrificante que Adams usava para abusar sexualmente de suas filhas.

Ele passava grande parte do tempo assistindo pornografia ou andando pela casa nu ou de roupa íntima.

*MJ teve sua identidade protegida