Igreja onde Guilherme de Pádua era pastor lamenta 'morte precoce': 'Ele testemunhou a transformação'

A Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde Guilherme de Pádua era pastor desde 2017, lamentou a morte do ex-ator.

Em um texto publicado nas redes sociais, o pastor Marcio Valadão afirma que o assassino de Daniella Perez "testemunhou a possível transformação que há em Jesus" e que ali ele encontrou um "lugar da nova chance que apenas Jesus pode dar a quem se arrepende".

"Guilherme demosntrou ser alguém empenhado em mudar e em viver de acordo com a nova vida que experimentamos em Cristo Jesus. Ele jamais deixou de ser lembrado pelo crime que cometeu, mas pôde, em seus últimos anos, caminhar de acordo com a vontade do Pai", diz o comunicado (leia abaixo, na íntegra).

Na mensagem, o pastor presta sua solidariedade à família de Guilherme de Pádua e lamenta a morte:

"Lamentamos sua morte precoce. Mas, em contrapartida, nos alegramos no Senhor pela convicção que há para os que creem em Jesus. A vida com Deus Jamais tem fim. (...) Que Deus possa confortar todos nós e aqueles que amavam e se inspiravam nele para uma uma real reintegração social e um verdadeiro recomeço".

Valadão também destacou o trabalho que Pádua exercia com ex-detentos desde 2017:

"Guilherme compunha o time pastoral da Lagoinha desde 2017, liderando o Ministério Recomeço, que atua dentro e fora dos presídios da capital mineira e região metropolitana, (...) sempre lidando com os desprezados e marginalizados".

No domingo, poucas horas de morrer, ele esteve no culto na Igreja Batista da Lagoinha, e onde posou num registro postado pela mulher.

Guilherme de Pádua morreu de infarto, aos 53 anos. A notícia da morte foi divulgada no domingo pelo pastor Marcio Valadão. O líder da Igreja Batista da Lagoinha deu detalhes da última visita do amigo à igreja.

As informações foram reveladas por Valadão por meio de uma transmissão em vídeo ao vivo nas redes sociais:

"Pouco antes das 22h, recebi o telefonema de uma irmã falando de um dos nossos pastores que acabou de falecer. Para mim, foi um impacto muito grande, porque hoje de manhã eu dirigi o culto e ele estava com a esposa no primeiro banco".

Assim como Valadão, Pádua também era pastor na Lagoinha. Ele ficou conhecido em todo o Brasil depois de ter assassinado a atriz Daniella Perez em 1992.

"Ele praticou aquele crime tão terrível com a Daniella Perez, foi preso, cumpriu a pena e se converteu. Ele estava dentro de casa, caiu e morreu" disse Valadão.

"O nome do ministério dele na nossa igreja era muito bonito: Recomeço. Ele cuidava de ex-presidiários. A sociedade não compreende muito as coisas, ele cometeu aquele crime contra Daniela Perez, mas ele se converteu dentro da prisão. Ficou tão conhecido. Fez aquela besteira há tantos anos atrás. Foi preso e cumpriu a pena todinha. Ele se converteu dentro da prisão. Está há 15 anos com a gente. Deixou de ser lagarta para ser borboleta", completou o pastor na live.

Condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, filha da autora Gloria Perez, Guilherme de Pádua tinha um canal no YouTube para fazer pregações. Pastor da igreja evangélica, o ex-ator usava da experiência que teve no presídio para falar sobre vida cristã após o mundo do crime.

Guilherme de Pádua e a então mulher, Paula Tomaz, foram condenados pelo assassinato da atriz Daniela Perez a tesouradas em 28 de dezembro de 1992. Eles foram condenados, cinco anos depois do crime, por homicídio qualificado, a 19 anos e seis meses de cadeia. Posteriormente, a pena foi reduzida a seis anos.