Igreja que flutuou na região da av. Paulista volta a receber fiéis

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três anos depois de flutuar, não por milagre, mas por obra da engenharia, a capela Santa Luzia voltou a abrir suas portas neste sábado (13). Em uma cerimônia de cerca de duas horas, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, consagrou novamente o templo na região da avenida Paulista.

A fim de ser devolvida às funções religiosas, a capela inaugurada em 1922 com projeto de Giovanni Batista Bianchi --arquiteto italiano muito requisitado por famílias de conterrâneos influentes na sociedade paulistana do começo do século 20-- passou por um delicado restauro.

O processo teve início em 2018 com a intervenção estrutural que permitiu que fossem escavados sob ela cinco subsolos para o complexo de luxo Cidade Matarazzo, do qual a igreja faz parte hoje.

A operação para levantar a capela a 31 metros de altura, preservando-a nos movimentos de terreno, foi um dos últimos projetos do renomado engenheiro calculista Mario Franco, morto em 2019 aos 90 anos.

Iniciativa do empresário Alexandre Allard, o Cidade Matarazzo terá hotel, apartamentos, centro comercial e cultural, no terreno de cerca de 30 mil m² que abrigava o hospital Umberto Primo, também conhecido como Hospital Matarazzo. O conjunto de edificações no local, entre as quais está a capela Santa Luzia, é tombado desde 1986.

O hospital encerrou atividades em 1993, ficando abandonado até 2011, quando o terreno foi adquirido por Allard.

O restauro da igreja, executado pela empresa Croma, com projeto dos arquitetos Julio Roberto Katinsky, Helena Ayoub e Roberto Toffoli, preservou os afrescos do interior no estado em que se encontravam. Portanto quem entra na capela não encontra pinturas brilhantes, mas decorações nas quais se vê a ação do tempo.

No exterior, recuperou-se o trabalho de argamassa imitando tijolos, alternado com faixas lisas. A equipe de restauro identificou que na fachada estava prevista uma rosácea --o ornamento circular, comum em igrejas a partir da Idade Média, porém, nunca fora instalado.

Assim, no lugar da cruz em relevo que dominava a entrada, surgiu a rosácea, com um vitral do artista Vik Muniz.

Na homilia, dom Odilo Scherer evocou a encíclica "Laudato Si'", publicada em 2015 pelo papa Francisco e marcada pelas preocupações ambientais.

A natureza, disse dom Odilo, não é um "depósito de bens" sobre os quais o homem avança "para retirar, retirar, retirar", mas a "casa comum" de todos os homens, devendo ser preservada para as gerações futuras.

Em sua fala, o cardeal afirmou que o empreendimento no qual a igreja agora se insere é uma prova de que "a harmonia entre a cidade, o cimento, o asfalto e a natureza é possível", como costuma apregoar o próprio Allard.

Ao fim da cerimônia, ao lado de dom Odilo e de Allard, o governador paulista, João Doria (PSDB), e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), descerraram a placa comemorativa da reinauguração.

A construção religiosa era ligada à maternidade Condessa Filomena Matarazzo, onde nasceram mais de 500 mil paulistanos desde 1943. Agora a capela faz parte de um hotel seis estrelas, primeiro da rede Rosewood na América do Sul, que passará a operar em 15 de dezembro.

As diárias para se hospedar em um dos cerca de 150 quartos revestidos com madeiras e mármores brasileiros começarão em R$ 2.800. O hotel terá ainda seis espaços gastronômicos, que receberam convidados pela primeira vez após a missa de sábado.

Localizada no número 40 da al. Rio Claro, a capela Santa Luzia, que ficará sob responsabilidade do padre Maurício Matarazzo Falcão --tataraneto de Francisco e Filomena Matarazzo--, passará a ter serviços religiosos regularmente. Na manhã do próximo domingo (21), receberá a solenidade de Cristo Rei.

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