Ilessi abre a nona edição do Festival Levada, com shows on-line este ano

Ricardo Ferreira
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Celeiro de talentos da cena musical desde que estreou, em 2012, o Festival Levada teve que fazer adaptações no seu formato para chegar à abertura de sua nona edição, hoje, às 21h, com show da cantora Ilessi. Por causa da pandemia — que adiou a realização do festival de 2020 para este ano —, os curadores selecionaram apenas artistas do Rio de Janeiro, a fim de evitar viagens dos músicos (antes, o festival reunia gente de todo o país). As apresentações serão gratuitas e on-line, com transmissão pelo YouTube (/levadafestival), direto do estúdio LabSônica, no Oi Futuro. Além de Ilessi, compõem a programação Thiago Nassif (amanhã), Àiyé — Larissa Conforto (quinta-feira) e o coletivo formado por Lucas Nunes, Dora Morelenbaum, Zé Ibarra e Júlia Mestre, que encerram o festival, na sexta.

Apesar das mudanças, a essência do festival Levada segue a mesma: oferecer oportunidade para talentos da música brasileira em ascensão. Segundo o curador Jorge Lz, à frente do projeto desde o início, o Levada pode ser uma porta de entrada para grandes festivais:

— Escolher os artistas é sempre um desafio, porque temos um cenário musical muito rico, tem muita coisa boa acontecendo. Sempre fico ligado em perceber a qualidade e a verdade nos trabalhos. Até selecionando só artistas do Rio dá pra ter uma pluralidade imensa. A Ilessi eu namoro pro Levada há muito tempo. Ela lançou o “Dama de Espadas”, um dos grandes discos do ano passado. Achei “Mente”, do Thiago Nassif, um disco incrível. A Larissa, a Àiyé, é uma artista fenomenal — diz Lz.

Ele também comenta o último dia do festival:

— A diferença na grade é essa última noite, que trará um encontro de artistas. Eles estavam internados em um sítio, compondo, fazendo coisas novas. Eu soube dessa reunião entre eles e pensei que podia render uma grande noite pro Levada. Os trabalhos são incríveis — conta o curador.

Nascida em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, Ilessi tem mais de 20 anos de carreira e quatro álbuns gravados: “Brigador”, de 2009, com músicas de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro; “Mundo afora: meada”, com composições de vários artistas; “Com os pés no futuro”, no qual ela interpreta músicas de Manduka com o multi-instrumentista e arranjador Diogo Sili; e “Dama de espadas”, seu primeiro disco autoral. Os dois últimos foram lançados no ano passado. A cantora conta que vai levar um pouco de cada trabalho para o show de hoje.

— O “Dama de espadas” é muito forte pra mim, teve uma repercussão diferente, são músicas minhas. Preferi não fazer o show com banda, chamei o Vovô Bebê (Pedro Dias Carneiro, no violão), que é um dos produtores do disco, para me acompanhar — diz a cantora.

Diante de um 2020 que passou em branco para o festival, 2021 talvez ganhe uma dose dupla de Levada. Jorge Lz já prepara o terreno para as comemorações de dez anos do evento, que já trouxe atrações como BaianaSystem, Silva, Metá Metá, Carne Doce e Pedro Luis.

—Estamos pensando em fazer a edição de dez anos em dezembro, presencial, se a coisa evoluir e a vacina pegar. A ideia é ter um palco maior, com três ou quatro shows por noite — afirma o curador.