'Ilha' de gigogas surge na enseada de Botafogo e surpreende grupo de remadores

Um grupo de remadores tomou um susto na manhã desta quinta-feira quando praticava remo de canoa havaiana na enseada de Botafogo, na Zona Sul do Rio. Durante um dos treinos, enquanto passava pela região, o grupo avistou de longe uma "ilha" de gigogas, planta aquática que se reproduz em maior abundância em locais onde o esgoto é despejado.

Rodigo Salles, instrutor de canoagem que passa diariamente pelo local contou que o fato surpreendeu a todos.

— A gente pratica remo de canoa havaiana aqui todas as manhãs; hoje, na última turma do dia, estávamos remando e vimos de longe algo na água, até chegamos a achar que poderia ser uma canoa abandonada ou algo do tipo. Chamou logo a nossa atenção quando chegamos mais perto porque percebemos que realmente parecia ser uma "ilhazinha". As folhagens pareciam estar enraizadas no solo, não pareciam boiar, ainda que estivessem. Pegou todo mundo de surpresa — relatou o instrutor, que afirma nunca ter visto nada parecido mesmo praticando canoagem na região desde a infância.

As gigogas são plantas aquáticas nativas do sistema lagunar. O grande volume e a velocidade com que costumam se proliferar se devem ao fato de funcionarem como um filtro, absorvendo nutrientes que estão disponíveis no esgoto despejado nas lagoas, o que faz com que se multipliquem de forma desordenada. Segundo o biólogo Mário Moscatelli, que acompanha o caso, a presença de gigogas não é nociva à saúde , mas indica que o sistema não está em bom estado.

Rodrigo afirmou que o local no entorno da pequena "ilha" estava repleto de outras folhagens e até pedaços de madeira sujando a água. Ainda de acordo com o instrutor de canoagem, uma segunda "ilha" de menor tamanho podia ser vista se aproximando do local.

— A aguá estava bem suja ao redor da "ilha", muito mato, pedaços de madeira, etc. Pegou a gente de surpresa porque quando a gente encontra as gigogas, geralmente elas estão bem perto, e essas específicas davam para ser vistas de longe — disse. — Foi o que mais chamou a atenção de todo mundo.

As gigogas já são conhecidas dos cariocas. Entre a última sexta-feira e terça-feira, uma ação da Comlurb realizada na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, chegou a retirar 260 toneladas das plantas aquáticas agrupadas na orla da praia.

O problema surgiu depois do rompimento de uma eco-barreira instalada na Lagoa da Tijuca, na altura do Itanhangá, permitindo a passagem de detritos, inclusive as plantas. A instalação já foi consertada no sábado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), mas, mesmo assim, detritos continuaram a chegar à orla.

As operações para a retirada do material juntaram 70 garis, com apoio de duas pás carregadeiras, quatro tratores de praia, cinco caminhões basculantes, um compactador e um trator esteira. O serviço de remoção das gigogas continua, uma vez que ainda estão chegando plantas na praia.

Procurada, a Comlurb informou que só remove as gigogas que chegam às areias e não tem atribuição de limpeza no mar. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) disse que a retirada de gigogas das praias é atribuição das prefeituras locais. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente também foi procurada, mas não retornou o contato.