Ilha de Paquetá (RJ) terá vacinação em massa contra Covid-19

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Rio de Janeiro e a Fiocruz vão vacinar todos os adultos da ilha de Paquetá, que fica a uma hora de barca do centro da cidade, em um novo estudo sobre a segurança e efetividade dos imunizantes contra a Covid-19, como já ocorre nos municípios de Serrana e Botucatu (SP).

O objetivo é avaliar como a vacinação em massa atua na proteção também de quem não foi imunizado, como crianças e adolescentes, além de observar se a primeira dose será capaz de evitar a transmissão do vírus na região ou se isso só acontecerá efetivamente após a segunda dose.

Segundo a prefeitura, Paquetá tem uma população de 4.180 pessoas, das quais 3.530 são maiores de 18 anos cadastradas no sistema de saúde da família. Entre elas, 52% tomaram a primeira dose e 30%, a segunda dose até o fim de maio.

A ideia é que o restante dos moradores elegíveis receba a primeira dose do imunizante da AstraZeneca/Oxford no próximo dia 20, um domingo. Será vetada a participação de turistas que estejam passando o fim de semana na ilha.

Os residentes deverão fazer antes um exame de sangue sorológico, que será repetido ao longo da pesquisa. Com a cobertura total da população-alvo, o monitoramento epidemiológico será feito por um período ainda a ser estabelecido. O projeto foi batizado de "PaqueTá Vacinada".

No estudo do município de Serrana, feito pelo Instituto Butantan usando a Coronavac, resultados preliminares constataram no fim de maio que a cidade teve uma redução de 95% das mortes pela Covid-19 oito semanas após o início da aplicação em massa, com 95% da população adulta imunizada.

O chamado projeto S vacinou 27.160 pessoas, divididas em quatro grupos. Cada um deles recebeu a picada com uma semana de diferença. Após o último grupo obter a primeira dose, a aplicação da segunda dose no primeiro grupo teve início.

Com isso, os pesquisadores conseguiram observar uma queda significativa no número de novos casos sintomáticos de Covid e de hospitalizações quando 75% da população elegível foi totalmente vacinada, isto é, quando o terceiro grupo dos quatro recebeu as duas doses da Coronavac.

"A queda de casos [sintomáticos] e mortes foi expressiva antes mesmo de termos concluído a aplicação da segunda dose no último grupo, o que nos mostra o efeito da imunidade indireta", disse na ocasião Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica do Butantan. O monitoramento deve continuar por até um ano, trimestralmente.

Já em Botucatu o estudo começou em meados de maio e está sendo feito por meio de uma parceria entre Ministério da Saúde, Unesp (campus local da Universidade Estadual Paulista), prefeitura da cidade, Universidade de Oxford e Fundação Bill e Melinda Gates.

Além de verificar a efetividade da vacina, o projeto pretende avaliar sua eficácia contra as novas variantes em circulação. Segundo os coordenadores da pesquisa, todas as amostras detectadas do vírus passarão por análise com sequenciamento genético.

A estimativa é que cerca de 80 mil pessoas, entre 18 e 60 anos, recebam o imunizante da AstraZeneca e sejam avaliadas por um período de oito meses. Não foram incluídos idosos, porque já estão sendo atendidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), nem gestantes e puérperas.