Ilhas Maurício: Papa se diz preocupado com jovens envolvidos com drogas

Por Celine CLERY
Antes de viajar para as Ilhas Maurício, o papa Francisco visitou Madagascar e Moçambique

O Papa Francisco, que desembarcou nesta segunda-feira nas Ilhas Maurício, um país multiétnico e turístico do Oceano Índico, insistiu nos jovens que precisam ser salvos "dos mercadores da morte", em alusão ao flagelo das drogas que atinge o país insular.

Milhares de pessoas se reuniram diante do Monumento Maria Rainha da Paz, onde Francisco celebrou uma missa.

Foi aos jovens que o papa Francisco dedicou sua homilia. "Como é difícil perceber que, apesar do crescimento econômico que o país experimentou nas últimas décadas, são os jovens que mais sofrem, são os que sentem mais o desemprego que causa não apenas um futuro incerto, mas que também elimina a possibilidade de sentirem-se atores privilegiados de sua própria história comum", observou.

Esse futuro incerto "os afasta e os obriga a conceber suas vidas à margem da sociedade, deixando-os vulneráveis e quase sem referência diante das novas formas de escravidão do século XXI".

"Não roubemos o rosto jovem da Igreja e da sociedade; não deixemos que os mercadores da morte roubem os primeiros frutos desta terra!", lançou Francisco, chamando a aprender a língua dos jovens e a ouvi-los.

De acordo com um relatório de 2018 do Observatório das Drogas, o tráfico e uso de drogas na ilha (heroína, cannabis, cocaína, drogas sintéticas) tem aumentado nos últimos anos.

Além de celebrar a missa, o pontífice argentino visitará um templo e se reunirá com líderes políticos durante a breve visita.

Em uma mensagem de vídeo dirigida à população das Ilhas Maurício, Francisco, um fervoroso defensor do diálogo inter-religioso, elogiou um povo "enriquecido com diversas tradições culturais e também religiosas".

Telões foram instalados em pontos centrais da capital do país, Port Louis, para que os devotos possam acompanhar a missa. A cidade foi decorada com imagens do papa.

Maurício, uma ilha situada ao leste do continente africano, tem 1,3 milhão de habitantes, predominantemente hindus (52%), mas com importantes minorias cristãs e católicas (30%) e muçulmanas (18%).

O primeiro-ministro das Ilhas Maurício, Pravind Kumar Jugnauth, considera a visita do papa uma vitrine do "sucesso do país no plano econômico e social, e como um verdadeiro modelo de pluralismo".

"Nossa diversidade cultural nunca nos impediu de criar um espaço favorável ao diálogo, ao entendimento e à paz", comentou.

"Não será uma visita do papa Francisco aos católicos e sim aos habitantes de Maurício em toda sua diversidade religiosa", declarou o cardeal Maurice Piat, arcebispo de Port Louis.

Maurício, com uma democracia estável e uma economia de renda média, contrasta com as duas escalas anteriores do papa na viagem, Madagascar e Moçambique, duas das nações mais pobres do continente africano.

Francisco celebrará a missa no Monumento Maria Rainha da Paz, na mesma colina onde João Paulo II celebrou a eucaristia durante uma visita em 1989.

A visita de Francisco coincide com o 155º aniversário da morte do sacerdote Jacques Desire Laval, um religioso francês que faleceu nas Ilhas Maurício em 1864 e foi beatificado em 1979.

O papa visitará o mausoléu de Laval, conhecido como o "apóstolo de Maurício" por seu trabalho missionário.

Todos os anos 100.000 peregrinos visitam o túmulo de Laval, ao nordeste de Port Louis, na noite de 8 de setembro para homenagear Laval no dia de sua morte.

Este ano, a peregrinação foi antecipada em um dia pela visita do papa.

O pontífice também visitará a residência oficial do presidente Barlen Vyapoory, que tem um papel em grande medida simbólico, e se reunirá com Jugnauth.