Ilustrador de HQ censurada manda recado: "Deveria contratar Crivella para promover meu próximo livro"

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Resumo da notícia

  • "É maravilhoso ver o povo brasileiro se posicionando e manifestando apoio à comunidade LGBTQ", disse o britânico à BBC News Brasil

  • Autor diz que ainda há um longo caminho para a "igualdade"

Depois de a história em quadrinhos "Vingadores: a cruzada das crianças" ser alvo de censura do prefeito Marcelo Crivella e esgotar das prateleiras da Bienal do Rio, os fãs brasileiros não hesitaram em ir até as redes sociais do ilustrador Jim Cheung contar as novidades. Ele respondeu, irônico: "Eu deveria contratar o prefeito do Rio de Janeiro para promover meu próximo livro".

Ele e o roteirista Allan Heinberg são os autores da obra. Em entrevista à BBC News Brasil, o desenhista de 47 anos afirmou estar feliz com a reação do público da Bienal à censura: "É maravilhoso ver o povo brasileiro se posicionando e manifestando apoio à comunidade LGBTQ".

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O prefeito do Rio de Janeiro determinou que a obra fosse recolhida dos estandes do evento e embalada em plástico preto com um aviso de "conteúdo impróprio para crianças". Para justificar seu discurso, o bispo mostrou uma página do livro que retrata um casal de dois homens. Para Cheung, a decisão dele mostra que a igualdade ainda não foi alcançada:

"O fato de essa história ter alcançado manchetes demonstra as várias faces da sociedade moderna. Mostra que as comunidades estão aceitando suas diferenças e diversidade, mas também revela a dificuldade que ainda enfrentamos na busca por igualdade a todos."

Jim Cheung é reconhecido internacionalmente por seu trabalho como ilustrador de séries da editora Marvel Comics, como Novos Vingadores, Illuminati, Jovens Vingadores e Vingadores.

No domingo (8), último dia do evento, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou que a decisão do prefeito contraria os princípios da democracia:

"O regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias, no qual todos tenham direito a voz. De fato, a democracia somente se firma e progride em um ambiente em que diferentes convicções e visões de mundo possam ser expostas, defendidas e confrontadas umas com as outras, em um debate rico, plural e resolutivo", disse o ministro.