Imóveis: ‘dica do porteiro’ agora é via aplicativo

Ana Carolina Diniz
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Brenno Carvalho / Agência O Globo
Brenno Carvalho / Agência O Globo

RIO - A prática de porteiros indicarem imóveis para locação ou venda existe desde sempre. Antes estimulados por moradores e corretores, os funcionários ganham agora um novo incentivo: start-ups voltadas para o mercado imobiliário criaram programas com pagamento de “recompensas”.

A Loft, por exemplo, começa a distribuir no Rio os cheques do Programa Loft Portarias. O projeto paga R$ 600 por indicação que entra na plataforma. Por considerar os porteiros como parte importante da engrenagem da empresa, investe para conquistá-los.

— Recentemente, promovemos um evento em um bar frequentado por muitos porteiros, em Ipanema. Distribuímos vouchers promocionais e panfletos explicativos. Vamos promover nos próximos dias uma partida de futebol só para eles. E vem mais por aí — afirma o gerente-geral no Rio, Bartolomeu Cavalcanti.

A plataforma Quinto Andar tem o programa Parceiros da Portaria, direcionado a porteiros, síndicos e zeladores. Se o imóvel indicado for anunciado na plataforma (com autorização do proprietário), quem deu a dica recebe R$ 100. Se for alugado, mais R$ 300.

— Ninguém melhor do que eles para indicar em primeira mão as melhores oportunidades. E as indicações são um complemento de renda relevante no final do mês — diz Flávia Mussalem, diretora de Marketing.

O mercado pulverizado, com grande número de imobiliárias, estimula a prática da indicação no Rio, analisa Luiz Barreto, diretor da Estasa:

— A ajuda do porteiro, que muitas vezes é o primeiro a saber da intenção do proprietário, às vezes é no sentido de indicar alguma imobiliária.

Imobiliárias tradicionais, como a Renascença, querem formalizar a dica. A administradora lançará este mês um programa de indicação para porteiros e síndicos.

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio (Creci-RJ), porém, desaprova a prática. Em nota, informa que aqueles que não têm o registro no conselho e realizam a indicação de imóveis para terceiros devem ser autuados por exercício ilegal da profissão, conforme o artigo 47 da Lei de Contravenção Penal. E que o corretor de imóveis que estimula esse serviço responde pela infração com base no artigo 29 do Código Penal.

Para Barreto, da Estasa, é preciso lembrar que o porteiro não realiza a venda nem anuncia ou mostra um imóvel, apenas indica o nome de uma empresa (ou profissional) especializada:

— O mundo mudou e, em vez de usar argumentos do passado, é preciso se adaptar e oferecer ao cliente um modelo de serviço que atenda às suas necessidades.