Imóvel da União no Leblon está anunciado há cinco anos e espaço na Brasil serve até de galinheiro

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RIO - Uma placa afixada numa das janelas do apartamento 101 da Rua General San Martin, 841, no Leblon, indica que o local está à venda pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Um empregado do edifício conta que, desde 2016, o governo tenta comercializá-lo, com seus 300 metros quadrados, usados por mais de dez anos por funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Da Zona Sul para a Norte: no número 1.455 da Avenida Brasil, um galpão também é de propriedade da União, mas está invadido. Espalham-se por seu interior o que restou de uma serraria, materiais descartados e um galinheiro.

Esses são alguns dos exemplos do “balaio de gato” nas mãos da União no Rio, revelado na lista do Feirão de Imóveis SPU+. O endereço no Leblon, numa das áreas de IPTU mais alto da cidade e avaliado em R$ 4,46 milhões, está fechado há cinco anos. É um dos oito apartamentos que o governo federal tem apenas nos bairros de Leblon, Ipanema e Copacabana, que avaliados no total em R$ 11,9 milhões.

— Aqui é um apartamento por andar. O 101 é enorme, mas precisa de reforma. Os tacos estão soltando, e, pelo tempo fechado, pode ser preciso mudar o encanamento — conta o empregado do prédio da Avenida General San Martin.

Longe do badalado Leblon, na Avenida Brasil, o galpão em frente à pista do Transbrasil que abriga até galinheiro também tem alto valor de mercado: R$ 1,1 milhão, segundo o governo. O sergipano Erotildes Alves dos Santos, o Sergipe, diz que toma conta do lugar para o “dono”, que teve um AVC, deixando para trás a serraria. Erotildes, de 76 anos, construiu ali também puxadinhos, um onde mora, e outro para a filha.

Na parte que considera sua, aproveita para ganhar uns trocados. Camelôs guardam mercadorias no espaço e compram gelo produzido por ele. Com o galinheiro, consegue alimento e ovos para vender. E, como a calçada em frente ao imóvel ficou mais baixa que a vizinha pista do BRT, Erotildes usou a criatividade: construiu um canteiro com verduras e legumes.

— É minha roça. Eu me sinto em Sergipe — brinca.

Os usos inusitados e inapropriados de imóveis da União não param por aí. No Centro, parte do teto do sobrado da Rua Camerino 109 desabou, mas ainda sobrou espaço para uma oficina de eletrodomésticos. Na Rua da Conceição 149, o sobrado praticamente desapareceu, dando lugar a um estacionamento privado.

Entre os 13 imóveis listados pelo governo como invadidos está um apartamento no oitavo andar do Edifício Troia, na Rua Sá Ferreira, em Copacabana. Um dos porteiros, porém, garante que a história é outra.

— É uma quitinete, está há pelo menos um ano e meio fechada. Não tem ninguém morando.

Moradores com processo

Moradores de uma vila de oito casas, entre os números 176 e 180 da Rua Manuel Miranda, no Engenho Novo, também asseguram que não são invasores. Informam que pagam uma taxa pela cessão à SPU e, inclusive, negociam a compra dos imóveis.

— Temos processo na SPU — diz Gilberto José da Silva, um dos moradores.

Também no Engenho Novo, no número 113 da Rua Vinte e Quatro de Maio, o “dono”, que não se encontrava quando repórteres do GLOBO estiveram no local, aluga quitinetes.

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