Imagem de São Jorge é destruída a pedradas dois dias após data em homenagem ao Santo Guerreiro

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Uma imagem de São Jorge foi alvo da vandalismo em Irajá, na Zona Norte do Rio, na madrugada desta segunda-feira. O ataque ocorreu dois dias depois da data em homenagem ao Santo Guerreiro, comemorada em 23 de abril. A representação ficava na Praça Ana Lima, protegida por uma espécie de redoma de vidro, onde foi colocada por iniciativa de moradores da região há cerca de três anos.

Um vídeo que mostra o estrago da ação foi publicado pela página Irajá Notícias. Segundo o relato, que teria sido fornecido por testemunhas, um homem branco e careca, sem camisa, aproximou-se da imagem às 2h20 da manhã e a destruiu a pedradas. Velas e flores deixadas no local no Dia de São Jorge também foram vandalizadas.

O deputado estadual Átila Nunes (MDB), relator da CPI da Intolerância Religiosa na Assembleia Legislativa do Rio, informou ter recebido a denúncia e encaminhado à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), bem como à Coordenadoria Executiva da Diversidade Religiosa (Cedir) do município. Os dois órgãos, porém, informaram que, até o fim da tarde, ainda não haviam sido formalmente comunicados sobre o episódio. A 38ª DP (Irajá) também não foi palco de nenhum registro de ocorrência a respeito do caso.

— São fundamentais as imagens das câmeras, pois é alta a possibilidade de ter sido um ato de preconceito religioso. Não tenho qualquer duvida de que o sucesso absoluto dos desfiles das escolas de samba deste ano no Rio e em São Paulo, onde se destacaram enredos voltados para as religiões afrobrasileiras, despertaram o ódio de fundamentalistas religiosos. Esses fanáticos não poupam símbolos religiosos, sejam católicos ou afrobrasileiros, razão pela qual imagens de santos católicos são destruídas em igrejas, sem falar nos terreiros depredados — afirmou Átila Nunes.

Já o babalorixá Márcio de Jagun, coordenador do Cedir, frisou que, mesmo com mais aparato do Estado para combater essas práticas, os casos de intolerância religiosa vêm aumentando na cidade:

— Já recebemos um contato da equipe do Átila e vamos apurar, mas ainda não fomos instados formalmente. De todo modo, embora o Rio seja, hoje, um dos lugares que mais investiga crimes ligados à liberdades religiosa, o número de casos tem crescido. Primeiro, porque são mais canais de denúncia, há uma delegacia especializada, o que é muito bom, por gerar mais confiabilidade da população. Mas intolerância religiosa existe, infelizmente, desde que os colonizadores pisaram aqui. É um déficit de 500 anos, é esse o tamanho do prejuízo que a gente tem. Mas é claro que não precisamos esperar outros 500 para evoluir muito mais.

O ataque em Irajá também chegou ao conhecimento do deputado estadual Sergio Fernandes (PDT), com base eleitoral na região. No Dia de São Jorge, ele próprio postou uma foto diante de uma imagem do santo no bairro, em uma praça que fica a apenas 200 metros do local onde ocorreu a depredação. "Não tem uma alvorada de São Jorge em que eu não acorde para agradecer por todas as batalhas vencidas", postou o parlamentar na ocasião.

— Foi com muita indignação e tristeza que recebi essas imagens. Vamos acompanhar as investigações para que o autor seja punido. E já estamos, junto aos moradores locais, nos organizando para reconstruir o espaço — avisou o deputado.

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