'Imbrochável? Perdeu, mané!': crítica política vai dar a tônica do Bloco dos Barbas em 2023

As críticas politicas — mais explícitas ou de forma bem-humorada — marcarão o desfile de vários blocos do carnaval de rua do Rio em 2023. Nessa linha, o Bloco de Barbas já elegeu seu alvo do desfile marcado para dia 18 de fevereiro, em Botafogo. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será ''homenageado'' no enredo ''Imbrochável? Perdeu mané!''. A escolha do samba será no próximo dia 19.

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O samba terá como referência o fato de Bolsonaro ter puxado um coro de ''imbrochável'' numa referência a si mesmo em discurso na Esplanada dos Ministérios durante a celebração do 7 de Setembro do ano passado, em Brasília.

— Desde 1985, quando foi criado, o Barbas segue uma pegada política nos temas que escolhe, aproveitando a irreverência do Carnaval. Esse ano de 2022, queremos com essa crítica ao ex-presidente consagrar um cenário político mais leve, que cria um ambiente ideal para ocupar o espaço público. Em 2023, depois da pandemia, ir para a rua simboliza também um gesto de segurar a democracia com as mãos e com muito samba no pé — diz Krika Rodrigues, filha do fundador, Nelson Rodrigues Filho.

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Algumas tradições do bloco voltam este ano. Uma delas é o carro-pipa, usado para refrescar os foliões durante o desfile.

As críticas politicas também vão estar presentes no último cortejo do Bloco de Segunda, também em Botafogo, no dia 20 de fevereiro, que costuma reunir políticos da esquerda carioca. O samba e o tema ainda estão sendo elaborados. Lídia Pena, responsável pela organização, promete uma apresentação memorável e explica o motivo de o bloco ter decidido '''dobrar a bandeira'' após 36 anos — eles desfilam desde 1987.

— Não integramos qualquer liga, e os custos para colocar o carnaval na rua são cada vez mais elevados. Nos últimos anos antes da pandemia, fechamos a conta no laço. Esse desfile, por exemplo, será sem carro de som por questão de custos. Será um carnaval raiz, com samba no pé. E com o coração apertado — disse Lídia.

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A própria história do bloco é uma espécie de crítica política. O primeiro desfile não foi em um carnaval, mas em uma segunda-feira, feriado de 7 de Setembro. Um dos refrões do primeiro samba perguntava "Por que não trocar Sarney por D. Pedro I?'', numa referência ao ex-presidente da República. A despedida começa nesta sexta-feira (13) com o lançamento da camisa do último carnaval em um bar da Cobal do Humaitá.

Mas há aqueles que vão optar por um desfile mais tradicional, sem esquecer o contexto político. No ano passado, o Simpatia é Quase Amor iria homenagear o compositor Aldir Blanc. O bloco não saiu, o samba ficou fermentando na cabeça dos compositores e se transformou em outra coisa este ano. A homenagem a Aldir continua, só que com outro viés nas apresentações de 11 e 19 de fevereiro, em Ipanema. A política pode até não estar explícita no samba, mas estará na ideia de celebrar tempos mais leves após quatro anos difíceis.

— O samba do ano passado era muito duro, ficou muito datado. O cenário era outro — explica João Pimentel, um dos compositores do samba.— Depois de tanto tempo com críticas mais pesadas, vamos voltar a falar de esperança, das mudanças mais positivas, da alegria do carnaval. É o Simpatia voltando a ter simpatia.