Impa dará dinheiro e olimpíada de matemática terá programas 'originais'

GABRIEL ALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) vai retirar dinheiro do próprio orçamento para bancar um programa ligado à Obmep (Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas), o PIC (Programa de Iniciação Científica Júnior), no qual os medalhistas têm aulas e desenvolvem projetos de matemática com professores universitários.

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ligada ao Ministério da Educação, havia prometido liberar R$ 4 milhões além dos R$ 2 milhões inicialmente planejados para este ano. O montante (R$ 6 milhões) seria suficiente para manter no mesmo patamar de 2016 o PIC e um outro programa, o Obmep na Escola (em que professores dão aulas de reforço de conteúdo relacionado ao da olimpíada).

Só que, para o Impa, 2016 não é o melhor ano.

Melhor seria se inspirar no período que vai de 2005 a 2015, quando cerca de 6 mil medalhistas podiam ter aulas e atividades científicas com professores universitários, para desenvolver seus talentos para a matemática e para ciências correlatas, como física, estatística e computação. Os alunos do programa ganham uma bolsa de R$ 100 mensais do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Em 2016, o programa teve de ser alterado porque a Capes não disponibilizou recursos para pagar as bolsas recebidas pelos professores universitários participantes. Agora, o Impa deve entrar com esses recursos. O orçamento anual do instituto, uma organização social, é da ordem de R$ 35 milhões –valor considerado baixo, dada sua expressividade.

A solução paliativa, à época, foi destinar recursos para alunos de licenciatura em matemática, que passaram a receber uma bolsa de R$ 400 para desenvolverem uma nova versão do PIC e ministrarem aulas aos mais jovens. Agora, em 2017, o plano é juntar os alunos de licenciatura com os professores universitários no mesmo barco, melhorando os resultados.

NA ESCOLA

Em 2016 também um novo braço da Obmep, o Obmep na Escola, que consiste em um programa de aulas dadas por professores de colégios públicos a alunos interessados. Os docentes recebem treinamento e R$ 765 mensais para participar do programa e há um desempenho francamente superior dos alunos tutelados na olimpíada.

A ideia seria de voltar ao PIC original (alunos tutelados por professores universitários) e manter o Obmep na Escola, graças aos bons resultados obtidos custaria, segundo a previsão do instituto R$ 10 milhões. A olimpíada per se custa R$ 53 milhões. São duas fases e 50 mil alunos são premiados, entre medalhistas e ganhadores de menção honrosa.

A Obmep é a maior olimpíada acadêmica do Brasil, atingindo 18 milhões de alunos da educação básica, do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.