Ex-policial Chauvin pede anulação de veredito de julgamento por morte de Floyd

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Um manifestante exibe um retrato de George Floyd em frente ao edifício em Minneapolis onde o júri foi escolhido para o julgamento pela morte de George Floyd em 8 de março de 2021

O ex-policial de Minneapolis Derek Chauvin, que foi considerado culpado do assassinato do afro-americano George Floyd, pediu nesta terça-feira (4) que o veredito seja anulado, citando, entre outros argumentos, "conduta inadequada" do júri.

O pedido foi apresentado após a divulgação de uma fotografia de um dos membros do júri numa manifestação contra o racismo, que, no entanto, não foi mencionada pela defesa.

O advogado de Chauvin, Eric Nelson, pede "uma audiência para anular o veredito por conduta inadequada do júri, ameaças, intimidação e pressão que podem ter pesado ou o não cumprimento das instruções durante as deliberações", diz o documento enviado à Justiça.

Nelson também pede um novo julgamento sob o argumento de que o juiz se recusou a realocar o julgamento e isolar os jurados, que, segundo ele, foram influenciados pela imensa cobertura da mídia sobre o caso.

Após três semanas de debate e uma breve deliberação do júri de 12 membros, Chauvin - que foi filmado ajoelhado no pescoço de Floyd por mais de nove minutos - foi condenado pelo assassinato de Floyd em 20 de abril e imediatamente preso. Sua sentença está marcada para ser anunciada em 25 de junho.

Pouco mais de uma semana após o veredicto histórico, um dos jurados, Brandon Mitchell, um homem negro de 31 anos, deu várias entrevistas, com o objetivo de incentivar os afro-americanos a fazerem parte de júris. "Como votar, isso pode ajudar a trazer mudanças", disse ele.

Mitchell é um dos dois únicos membros do júri que foram publicamente identificados desde o julgamento de alto perfil.

Após as entrevistas, viralizou nas redes sociais uma foto em que é possível ver Mitchell usando uma camiseta com a imagem do líder dos direitos civis Martin Luther King Jr junto com a frase "Tire seu joelho de cima de nossos pescoços" e a sigla "BLM", do movimento Black Lives Matter.

Em um questionário, os jurados em potencial tiveram que responder se haviam participado de algum dos protestos contra a brutalidade policial que seguiram a morte de Floyd em 25 de maio de 2020.

Mitchell respondeu que não e que poderia servir no júri com imparcialidade. Em declarações ao jornal Minneapolis Star Tribune, Mitchell afirmou que a foto foi tirada em uma passeata em que ele compareceu em Washington em agosto de 2020 para homenagear o aniversário do famoso discurso "Eu tenho um sonho" de Martin Luther King.

- Resposta "correta" -

Jeffrey Frederick, um especialista em seleção do júri, argumentou que a resposta de Mitchell pode ser "tecnicamente correta", já que o evento em Washington foi anunciado como uma celebração, e não uma manifestação.

"Agora, cabe ao juiz interrogá-lo novamente para ver se ele teve algum preconceito ou se ele mentiu, e decidir se é sério o suficiente para afetar o resultado do julgamento", explicou Frederick à AFP. O especialista, porém, considerou improvável a realização de um novo julgamento.

Steve Tuller, outro especialista em seleção de júri, concorda: “Os juízes não querem anular julgamentos, especialmente em um caso em que houve um veredito e dadas as circunstâncias especiais deste caso”.

"No final, acho difícil que a 'revelação' do júri possa mudar o veredito", completou.

Chauvin pode pegar até 40 anos de prisão pela acusação mais grave: homicídio em segundo grau.

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