Imposto de Renda: sem reajuste desde 2015, tabela tem defasagem histórica de 148%

Imposto de Renda defasado é uma das maiores reclamações da classe média no Brasil
Imposto de Renda defasado é uma das maiores reclamações da classe média no Brasil

A tabela do Imposto de Renda Pessoa Física chegou à sua maior defasagem da série histórica, 148%. Vale lembrar que a tabela não tem nenhum reajuste desde 2015. As informações são de O Globo.

Atualmente, quem ganha mais de R$ 1,9 mil por mês está sujeito ao tributo e acertar as contas com o Leão. A moradia viria numa alíquota de 7,5%.

Esse cálculo foi feito pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita, com base no anúncio do IPCA, que acumulou 5,79% no ano passado.

Esse teto de R$ 1,9 mil para isenções está congelado há sete anos. O ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou seu governo e não cumpriu promessa de corrigir a tabela. Já Lula prometeu elevar o valor para R$ 5 mil o limite da isenção.

Caso fosse realizada a correção total da tabela pelas perdas com a inflação, ninguém que tivesse renda tributável de até R$ 4.683 mensais deveria pagar o Imposto de Renda. Isso resultaria em quase 30 milhões de isentos.

Em 1996, o limite de isenção do Imposto de Renda era equivalente a 9 salários mínimos. De lá para cá, o piso teve ganhos reais sem correção correspondente da tabela.

Segundo estimativas do sindicato, para pessoas com rendimento de R$ 6 mil mensais, a defasagem da tabela significa um recolhimento mensal a mais de R$ 681,94, valor 690% maior do que deveria ser pago caso a tabela tivesse sido atualizada. Já o contribuinte com renda mensal tributável de R$ 10 mil paga 177,17% a mais.

No caso da tabela ser corrigida em sua totalidade, o sindicato dos auditores calcula que a renúncia fiscal seria na ordem de R$ 101 bi. Essa compensação, na visão da entidade, viria com maior tributação dos mais ricos, que têm parcelas elevadas de rendimentos isentos de tributação.