Imprensa de Hong Kong se pergunta quem será o próximo a cair

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Vendedora lê jornais em banca de Hong Kong (AFP/Peter PARKS) (Peter PARKS)

Quando a polícia de segurança nacional de Hong Kong bateu na porta do jornalista Ronson Chan de madrugada mês passado, ele não se surpreendeu, mas sentiu o corpo tremer.

A crescente repressão nesta cidade teoricamente semiautônoma da China silenciou e encarcerou a maioria dos ativistas pró-democracia. Agora o alvo começa a ser a imprensa.

Chan sabia que era um alvo como presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong e editor do jornal digital independente e financiado por leitores Stand News.

"Estava preparado mentalmente", disse à AFP. Mas "quando me mostraram o mandado de busca, eu tremi".

Chan usou o celular para transmitir ao vivo seu diálogo com os agentes, até que o ordenaram parar. Foi o último exercício de jornalismo da Stand News.

O veículo fechou mais tarde nesse mesmo dia, depois que as autoridades congelaram seus ativos mediante a lei de segurança nacional imposta em 2020 por Pequim e detiveram sete funcionários e diretores, alguns já aposentados, por publicarem conteúdo "sedicioso".

Dois editores foram indiciados e continuam sob custódia. Chan teme terminar como eles.

"Seremos os próximos?". A dúvida paira nas redações de jornais locais e também de alguns internacionais, nesta cidade outrora considerada símbolo da liberdade de imprensa na região.

"Supõe-se que nós jornalistas dizemos a verdade ao poder", afirma à AFP Lokman Tsui, ex-professor de jornalismo na Universidade Chinesa de Hong Kong e atualmente na Holanda.

"Agora, a verdade é subversiva em Hong Kong".

- "Clima de medo" -

A China continental é um dos lugares mais opressivos do mundo para os jornalistas. Os jornais locais são rigidamente controlados pelo Estado e os movimentos dos correspondentes estrangeiros são fortemente restringidos.

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, nega energicamente a repressão contra a imprensa e afirma que as autoridades só estão aplicando a lei.

Após os fechamentos de Stand News e Citizen News, alegou que os países ocidentais possuem leis de segurança nacional "muito mais draconianas". Mas não deu exemplos de que essas leis tenham sido usadas contra a imprensa.

Um ex-editor do jornal independente InMedia afirma que há "um clima sem precedentes de medo no setor". "É difícil avaliar o risco", disse em anonimato.

Até agora, a lei de segurança nacional não foi aplicada em veículos da mídia internacional, mas o governo de Hong Kong está cada vez mais crítico com suas coberturas.

Vários veículos têm sua sede asiática em Hong Kong, como AFP, Bloomberg, The Wall Street Journal, CNN e The Economist.

Desde novembro, as autoridades publicaram 13 cartas a veículos estrangeiros em inglês, francês ou espanhol, majoritariamente por editoriais que não agradaram o governo.

As cartas ao The Wall Street Journal ou ao britânico The Sunday Times continham advertências de uma possível violação da lei de Hong Kong.

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